‘Feromonas’ tem dois milhões e 600 mil seguidores à conta dos vídeos e da oratória.
Quando vai pela rua a caminho da faculdade, poucos reparam em Miguel Campos. Não é esse tipo de fama, a dele. Mas se entrarmos no YouTube, o caso muda de figura. Na rede, Miguel é conhecido por ‘Feromonas’ ou simplesmente ‘Fenom’ e tem dois milhões e 600 mil seguidores, sensivelmente um quarto da população portuguesa.
Toda esta gente segue assiduamente os seus desafios em vídeo (coisas tão inusitadas como o ‘desafio da pimenta’ ou o ‘desafio do cocó’ e que basicamente são narrativas em torno de experiências individuais mais ou menos hilariantes) ou vídeos de Machinima, para os quais usa jogos como o Minecraft ou Assassin’s Creed III. O autor chama-lhes ‘aventuras fenonásticas’.
Mas fantástica e fenomenal passou a ser a sua história, a partir do momento em que deixou de ser apenas mais um adolescente à frente de um computador.
Há cinco anos, começou a fazer os seus próprios vídeos com o simples intuito de se divertir e comunicar com os amigos. Criou um canal próprio e de repente começou a colecionar seguidores: 500 no primeiro ano, um milhão ao fim de três anos.
Atualmente, é o youtuber português com mais subscritores e visualizações do País (segundo o site socialblade.com): 372 442 993 vezes. Um número muito gordo.
As suas produções caseiras são filmadas na secretária do quarto, onde há posters do Homem-Aranha e dos Simpsons na parede sobre a cama. Por vezes, chega a aparecer também o pai, e até já houve uma votação online para saber se este deveria ou não continuar a fazer parte dos enredos.
Miguel vive disto. E não viverá mal, embora os números sejam o segredo que ele mantém com os deuses. Há outros, como o jovem sueco Felix Kjelberg ou PewDiePie – que soma mais de 37 milhões de seguidores e segundo reza o site da ‘Forbes’ fatura 3 546 400 euros num ano (sensivelmente 4 milhões de dólares).
O NEGÓCIO GOOGLE
"Há cerca de um ano, comecei a conseguir pagar as minhas próprias propinas", acede, embora Miguel Campos não queira adiantar números concretos.
O negócio não tem nada de complicado: o Google AdSense gera aleatoriamente anúncios publicitários para passar antes ou durante os vídeos. Depois, a Google (detentora da plataforma You Tube) faz as contas e ao final do ano o utilizador recebe o cheque via PayPal. Claro que quanto maior número de visualizações tiver, mais apetecível se torna para o sistema.
"Mas em Portugal as empresas ainda não têm muita confiança nos ‘social media’. Lá fora, é completamente diferente", conta.
A verdade é que Miguel também nunca pensou ganhar dinheiro com isto. Ou como gosta de explicar a quem o questiona sobre a melhor forma de lhe seguir as pisadas, "façam isto porque gostam, porque se querem divertir e entreter as pessoas que vos veem, apenas. Mas façam bem feito. E se os vídeos forem realmente bons alguém há de reparar em vocês".
A grande maioria dos seus seguidores andam entre a faixa etária dos 6 aos 15 anos e foi por ele que esperaram mais de uma hora por um autógrafo no livro que acaba de editora, ‘Feromonas’, durante a última edição da Feira do Livro de Lisboa. A jovem moldura humana impressionou quem foi à procura de leitura à moda antiga e afinal esbarrou com a internet. E também surpreende o autor.
"Nunca pensei conseguir captar a atenção de tanta gente, porque no fundo tudo começou como um hobby. Aliás, continua a ser o meu hobby. E serem tão jovens é algo muito interessante."
Os fãs levaram-lhe desenhos e livros – não só o dele mas também as publicações de Machinima e Minecraft – e queriam fotos e abraços para a posteridade... ou talvez mais para mostrar nas redes sociais, coisa que nestes tempos de agora faz muito mais sentido.
‘O Livro do Feromonas’ pretende, tal como a vida virtual do seu autor, ser uma ferramenta interativa.
A máquina alimenta-se a si própria, como convém. Mas atrás da máquina está um estudante de informática, mais concretamente do curso de redes de comunicação.
Nascido em 1991 (23 anos), Miguel Campos vive em Corroios, concelho do Seixal, com os pais. Tem um 1,90 de altura numa voz de ‘puto’ que nos vídeos ganha trejeitos que deixariam de cabelos em pé uma boa parte dos oradores clássicos. Em tempos, jogou basquetebol, a sua modalidade de eleição, mas abandonou por falta de tempo e oportunidade.
Agora, o seu trabalho estende-se pela madrugada fora a editar vídeos. "Publico dois vídeos por dia, que representam seis horas de trabalho diárias à frente do computador." O sucesso nunca vem sozinho.
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