Foi um êxito em todo o Mundo mas deixou-se ultrapassar pela modernidade. Quando parecia à beira da morte, porém, o interesse do Norte da Europa veio reanimá-lo. Nos Açores, continua-se a fabricar rapé, o velho tabaco de cheirar.
O sistema de produção é o mesmo de sempre: as folhas de tabaco são moídas até se transformarem em pó e depois são-lhe acrescentados aromas, como o limão, entre outros. Nos Açores, a Fábrica de Tabaco Estrela reinvestiu em força na produção de rapé, tabaco para cheirar. Objectivo: corresponder à procura interna que o produto ainda tem e, sobretudo, atacar o mercado do Norte da Europa.
“Nos últimos anos, vários países do Norte da Europa voltaram a registar uma crescente procura do rapé. Em Inglaterra, por exemplo, existe uma fábrica que produz rapé e que tem conseguido alguns resultados interessantes com o aumento de vendas regulares”, diz Costa Martins, administrador da empresa. Nos Açores, explica o empresário, o produto ainda é distribuído para todas as ilhas, embora esteja a afastar-se das zonas urbanas. “Vendemos, essencialmente, para as localidades mais afastadas, onde a população idosa é maior. Nas grandes cidades já ninguém utiliza este produto”, explica, adiantando que o mesmo desapareceu das tabacarias por falta de compradores. “Vai ser difícil conseguir recuperar compradores”, acrescenta. Mas a esperança num novo mercado subsiste: a Dinamarca, a Inglaterra ou a Suécia estão a precisar de rapé. E o dos Açores tem boa reputação.
CIGARRO DOS POBRES
Boa parte dessa reputação nascia num facto imbatível, o baixo preço, que permitia uma democratização maior da utilização do rapé, por chegar a praticamente todas as camadas da população. Vivia-se a era em que os cigarros eram feitos à mão, assim como os charutos. Estes existiam em número reduzido e o preço era, obviamente, maior.
A industrialização e a melhoria do poder de compra acabaram, no entanto, por fazer com que o rapé fosse cada vez menos procurado. “Antigamente o rapé era bem visto, sendo mesmo considerado um produto medicinal ideal para quem sofria de sinusite”, diz Costa Martins. “Fazia espirrar e as pessoas afirmavam sentir-se muito melhor”, explica. O andar dos tempos, no entanto, “foi fazendo com que fosse abandonado”.
Tanto que, hoje em dia, a Fábrica de Tabaco Estrela vende o rapé em pequenas latas de 50 gramas — as favoritas dos compradores — em zonas rurais dos Açores e da Madeira. Trinta por cento da produção, mesmo assim, destina-se ao chamado “mercado da saudade”, nos Estados Unidos e Canadá.
“Vendemos, mas todos os anos vamos produzindo um pouco menos. Basta olhar para os índices de venda para perceber que não há muito a fazer. É uma descida que vai sendo assumida com naturalidade e que, mais cedo ou mais tarde, vai acabar por desaparecer definitivamente”. A modernidade, nisto, é implacável: o rapé pode desaparecer na mesma medida em que vão desaparecendo os seus compradores.
Nos últimos tempos, porém, o tabaco moído voltou a ser procurado em vários países do Norte da Europa, apesar de os mapas de vendas e de produção adivinharem o declínio constante. E é nesse mercado que os Açores pretendem agora investir.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.