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Artigo exclusivo

“Temos de ser polícias, não torcionários”, considera Francisco Moita Flores

Sem o saber, Salazar já não mandava. O novo livro policial do escritor explora o absurdo de, aparentemente, no mítico ano de 1969, existirem dois primeiros-ministros no Portugal fascista.

17 de maio de 2026 às 01:30

Quem esfaqueou, numa madrugada de fevereiro de 1969, o contínuo da PIDE conhecido pela alcunha de 'Quincas' (inventada por algum apreciador da novela de Jorge Amado 'A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água') é o que não se pode revelar. Afinal, 'Sangue e Silêncio no Poço dos Negros' (ed. Casa das Letras) é um romance policial – e não se antecipa o que irá descobrir a brigada de homicídios da PJ, chefiada por Simão Rosmaninho. Mas o mais recente título de Moita Flores é, também, um fresco sobre esse ano mítico, em que a moda foram as minissaias e as calças à boca de sino, os cabelos longos dos Beatles e as indumentárias curtas de Brigitte Bardot; estreou o filme '2001, Odisseia no Espaço' e Neil Armstrong desceu da Apollo 11 para pisar o solo lunar; Simone de Oliveira ganhou o Festival da Canção com 'Desfolhada' e Moita Flores também apanhou um “susto” com o tremor de terra. Na aparente abertura da Primavera Marcelista, a ditadura autoriza que regressem a Lisboa o socialista Mário Soares e o bispo D. António Ferreira Gomes, mas é assassinado pela polícia política o líder da guerrilha moçambicana Eduardo Mondlane.

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