Situada no concelho de Alcácer do Sal, a pequena vila é conhecida como uma “terra de coisas esquisitas”. Abóboras e girassóis gigantes, melancias quadradas, porcos siameses ou carpas com 16 quilos – há de tudo.
O povo não sabe como explicar os inúmeros acasos com que a Natureza presenteia a vila e os arredores do Torrão. “É da terra, da Lua, do Sol ou de outra coisa qualquer. Certo é que tenho 76 anos e durante todo este tempo nunca tinha visto tanta coisa esquisita”, confessa Luís Tomé, um dos muitos idosos que se encontra à conversa no Largo do Cruzeiro com outros companheiros sobre a última atracção da localidade, a ovelha ‘Margarida’.
No passado dia 20 de Outubro, dia em que a borrega nasceu numa propriedade perto do Torrão, o agricultor José Augusto reparou que algo de estranho se passava com o animal. “Vi que em vez de quatro patas tinha seis. Quatro à frente e duas atrás. Por sorte a mãe não a rejeitou e, hoje, vive de boa saúde”, conta.
José Augusto, de 67 anos, revela ainda que nunca tinha “tido ovelhas” e que a pequena ‘Margarida’, por vontade dos filhos, “não será vendida”.
Este fenómeno, tal como tantos outros que o Correio da Manhã noticiou nos últimos anos, têm sido mostrados e explicados por Mário Fagulha, o grande coleccionador das ‘partidas’ da Natureza ocorridas na região.
No seu café, localizado no centro da vila, podem ver-se alguns objectos um tanto ou quanto estranhos, como tiras de cortiça em forma de cara, uma pernada gigante de malaguetas, entre muitos outros.
Num canto do café ‘Belo Horizonte’, três quadros mostram reportagens com o ‘Marinho’, tal como é carinhosamente conhecido na vila. Numa exibe uma valente carpa com 16 quilos e noutra um girassol com três metros de altura.
Se alguns dos fenómenos lhe são oferecidos pelos vizinhos e populares, outros surgiram no quintal de Mário Fagulha, como foi o caso do girassol.
“Estas coisas surgem de muitos em muitos anos, mas no Torrão aparecem com maior frequência. No espaço de semanas, um vizinho criou uma gila com mais de 60 quilos e quase dois metros de comprimento. Outros dois moradores tiveram nos seus rebanhos um borrego com um olho no meio da cara e uma com seis patas”, conta.
PEIXES GIGANTES E PORCOS SIAMESES
Estes acontecimentos curiosos começaram a surgir na vila em meados da década de 90.
Em Fevereiro de 1994, Mário Fagulha pescava na barragem Trigo de Morais, situada no concelho de Alcácer, quando sentiu um forte puxão na rede. “Era uma carpa com
16 quilos e 93 centímetros de comprimento. Foi um bom petisco. As espinhas pareciam ossos”, recorda, acrescentando que também chegou a pescar um barbo com nove quilos.
No ano seguinte, em Janeiro, viu nascer dois porcos unidos pela boca e coração. “Os siameses, infelizmente, não viveram muito tempo”, recorda.
Meses depois, Mário Fagulha reparou que no quintal de sua casa algo crescia ininterruptamente. “Em Outubro de 1995, medi o girassol gigante. Tinha cinco metros de comprimento e uma cabeça com um diâmetro de 62 centímetros”.
Uma abóbora com 101 quilos que nasceu no quintal de um vizinho, em 2001, e uma couve com nove quilos são outras ‘preciosidades’ testemunhadas pelo povo do Torrão. E quando se fala nisso os moradores não escondem a satisfação – “Tudo isto tem tornado a nossa vila famosa”, admitem.
Apesar de estarem habituados aos fenómenos, cada vez que alguém aparece no café do ‘Marinho’ com novas curiosidades da Natureza todos ficam espantados. “As pessoas entregam estas coisas ao ‘Marinho’. Depois, é quase como uma festa”, diz um dos clientes do estabelecimento. Para outro residente da vila, o Torrão começa a ser mais importante que o Entroncamento: “Na vila ou arredores têm aparecido ultimamente muitos mais fenómenos do que lá”, sublinha.
ARTISTAS EM SEGREDO
Na vila do Torrão, uma das mais tradicionais do Alentejo pelo seu casario, património e cultura popular, há pessoas que apesar de serem grandes artistas e mestres no artesanato, continuam a passar despercebidas e a guardar as suas belíssimas obras num estranho anonimato.
“Não as queria mostrar. É a primeira vez que o faço para os jornais”. Foi desta forma que Joaquim Roupa nos abriu as portas da pequena oficina e do bar da sua residência para mostrar, com ar de envergonhado, autênticas obras de arte em madeira.
Este antigo trabalhador da construção civil e residente no Torrão há
67 anos transformou ao pormenor quase todos os monumentos e edifícios públicos da vila em pequenas réplicas. Janelas, vidros, telhados, bicas de água e calçadas foram perfeitamente reproduzidas à escala durante horas a fio. Além disso, a maioria das suas obras foram também electrificadas. “Só para dar uma ideia, uma destas peças tem
1400 pequenas telhas de barro. Já tentei trabalhar mais depressa, mas não consigo fazer mais de 10 por hora”, relata.
Joaquim Roupa começou a gostar de trabalhar com as madeiras na sua juventude. “Aproveitava os tempos livres para fazer qualquer coisa. De tudo o que tenho feito, o edifício da Junta do Torrão foi a primeira obra. A última é o Coreto, mas ainda não está acabado”, conta.
Ao longo da vida, este artista reproduziu quase todas as fontes da freguesia, o depósito da água e duas igrejas da vila. No entanto, a Igreja de Nossa Senhora da Albergaria é a obra mais apreciada. “Electrifiquei-a e coloquei os bancos, o altar e a santa, tal como está na verdadeira”, afirma orgulhoso. Questionado sobre a possibilidade de um dia vender uma das suas obras, a resposta é rápida: “Nem pensar. Vender nunca, mesmo com uma boa oferta”.
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