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UM PAÍS DE TANGA

É a peça mais pequena do universo da ‘lingerie’ e uma das palavras mais usadas no jogo político dos últimos seis meses. Mulheres e homens, Governo e Oposição todos concordam: “Portugal está de tanga”

25 de outubro de 2002 às 23:10

Há uma peça de ‘lingerie’ que atingiu um crescimento exponencial de vendas nos últimos dois anos. É a tanga: uma cuequinha de dois minúsculos triângulos de pano seguros por tirinhas. As razões desta alteração estão relacionadas com a emancipação da mulher portuguesa, a crescente preocupação com a beleza e o à-vontade com que passou a encarar a sua sexualidade. Mas a mudança é potenciada pela massificação de imagens – em desfiles de moda, praias tropicais, concursos, telenovelas e Internet – de mulheres usando “fio-dental”, contribuindo para a desinibição colectiva.

A La Redoute Portugal, líder de vendas por catálogo, diversificou do Verão de 2000 para 2001 a oferta neste tipo de artigos – versões “lingerie” e fato-de-banho – conseguindo “um crescimento exponencial das vendas, que praticamente triplicaram”. No último Verão, segundo Vítor Fernandes, a empresa registou “um crescimento de nove por cento em relação ao anterior” e um “aumento de 50 por cento na procura da tanga brasileira, modelo fato-de-banho, em relação ao ano passado”.

Isabel Jorge Carvalho, relações públicas da Triumph, também crê que o crescimento deste nicho de mercado “vai manter-se nos próximos anos”, representando “há já algum tempo 15 por cento das vendas totais de cuecas da empresa”, uma das líderes do mercado português. O comportamento das vendas através da Internet é semelhante, atingindo crescimentos anuais que oscilam entre os 10 e 20 por cento. Neste caso, no entanto, a procura é mais notada nas peças ousadas e naquelas em que o erotismo assume maior visibilidade, em detrimento das mais funcionais.

DSDE O PARAÍSO

A história da tanga poderia começar no Paraíso, no princípio da humanidade, quando Eva e Adão taparam o corpo apenas com duas parras, não fossem as enormes diferenças de conceitos que marcaram a “lingerie” nestes dois milénios. Na verdade, as sociedades foram moldando a roupa interior às necessidades práticas e aos preceitos estéticos e de beleza de cada época, assemelhando-se ao que é hoje apenas na segunda metade do século XX.

Ao longo dos séculos, esta “lingerie” sofreu enormes mutações, desde os calções para montar a cavalo inventados por Catarina de Medicis até às “calcinhas” pelo joelho dos séculos XVIII e XIX. As cuecas mais parecidas com as da actualidade surgiram em 1928, mas apenas destinadas às crianças. No início da II Guerra Mundial o uso de “calcinhas” pelas mulheres vulgarizou-se e, em 1949, a tenista Gussie Moram, em Wimbledon, mostrou sob a saia uma coberta de folhinhos e rendas.

Os modelos de tangas assentam em três linhas base: “fio dental”, “dois triângulos” e “asa delta”. Há para duas funções: para o dia-a-dia e erótica. A primeira tanga é a mais reduzida: tem apenas um pequeno triângulo à frente, unido nos vértices por tirinhas (ou fios) que o amarram pela cintura. O modelo constituído por dois triângulos tem pequenos pedaços de pano com aquela forma geométrica (o mais pequeno atrás, junto à cintura, para evitar que se note sob a roupa). A terceira tanga tem a forma de uma asa delta, atravessando as nádegas consoante o tamanho e o desejo do utilizador.

A generalidade destas peças é simples e prática, sem rendas ou materiais desconfortáveis que compliquem o seu uso diário. Pelo contrário, noutras ocasiões pode usar-se uma infinidade de modelos – tantos quantos a imaginação permitir – desde os comestíveis aos que brilham no escuro, passando pelos perfumados e os fabricados em látex, todos numa enorme variedade de cores, rendilhados e materiais.

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