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Uma voz que é uma ilha

A reunião da poesia de José Agostinho Baptista não pode passar em claro.

22 de setembro de 2019 às 12:00

A poesia de José Agostinho Baptista é um caso único - construída ao longo de décadas de solidão obstinada, é também o resultado de uma obsessão: a tristeza.

Mais do que uma   obsessão   relativa   à morte, ao abandono, até à família e aos seus mitos e temas próximos ou fundadores   (a ilha, o México, a música, a viagem, por exemplo), a tristeza é o grande tema da poesia deste   homem   que   raramente   dá uma entrevista ou fala em público   e cuja obra merece outro destino que não seja a circulação em sentido único e restrito.

‘Morrer no Sul’ (1983), ‘O Último   Romântico’   (1981) ou ‘Jeremias, o Louco’ (1978), pese embora serem obras iniciais da sua bibliografia, são já o produto da maturidade de um sentimento impossível de traduzir noutra palavra que fique menos assustadora no seu retrato: tristeza.

Até à publicação de ‘Canções da Terra Distante’ (1994), a poesia de José Agostinho Baptista tinha ainda o eco de uma alegria aventurosa – a que nunca foi estranha a construção dessa "mitologia mexicana"   que   modelou   parte   dos   seus poemas e de que resultou um livro tão alucinado como ‘Debaixo do Azul sobre o Vulcão’ (1995). Mas aquilo que passa por ser a segunda fase   da   sua   poesia,   iniciada   com ‘Canções da Terra Distante’ (1994) e cujo epicentro é um livro invulgar e   belíssimo   (‘Esta   Voz   É   Quase   o Vento’, 2004), é já uma etapa de descidas profundíssimas, de abismos de onde não se regressa.

Depois disso, e da publicação de ‘Filho Pródigo’ ou do livro que lhe é mais próximo, ‘O Pai, a Mãe e o Silêncio dos Irmãos’ (2009), o exílio de José Agostinho Baptista tornou-se mais poderoso e profundo (vive atualmente na Madeira, sua terra natal e terra dos seus ancestrais) – e a poesia posterior constitui uma espécie   de   prova   de   vida   dolorosa.

Não existem, no panorama da poesia   portuguesa   contemporânea, muitas mais vozes tão viscerais e melancólicas, com esta sonoridade de Antigo Testamento, cheia de desertos e varandas de onde se vêem todos os mares da solidão.

A reunião da sua obra neste volume é um grande   acontecimento   que   não pode passar em claro – tão obscura é a sua obra, e tão radical.

Disco

Recuperar um violino perdido

que trabalhou com Corelli e Haendel, terminou a vida como negociante de vinhos. Deixou apenas 24 sonatas - neste disco reúnem-se 6: grande sensibilidade (adágios perfeitos, cheios de lamento e harmonia) de um compositor esquecido e bela interpretação de Cicic,

com o Illyria Consort.

Televisão

Uma série imparável

restaurante

Há lugares de que gosto muito por razões, digamos, sentimentais. Este é um deles – e as minhas memórias ressentem-se ao evocar o arroz de bacalhau com filetes do mesmo e ovo estrelado, o arroz de vitela com legumes (e ovo estrelado!), a costela mendinha no forno, os filetes de pescada com arroz de grelos, a garrafeira.

Rua do Campo Alegre 747, Porto.Telefone: 226 002 077. Segunda a sábado. Fecha aos domingos

Fugir de:

Ambiente

Se não te portares bem, o PAN fica triste (isso tenta-me...). Se não fores uma pessoa queridinha e cheia de sustentabilidade, Deus vem e castiga-te.

Não tenho paciência para tanta gente boa à minha volta.

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