page view

Vida para além da morte

O início do ano é um período negro de suicídios. O retrato de três jovens que sucumbiram ao fardo dos dias, se enfeitiçaram pela morte e sobreviveram para contar a história. Voltaram a agarrar-se à vida, com unhas e dentes.

08 de janeiro de 2006 às 00:00

Quando enfiou o punhado de comprimidos pela goela abaixo, Sandra não viu o filme da sua vida a desenrolar-se diante dos olhos como relatam os que desafiam a morte de frente. Nada de imagens dramáticas a preto-e-branco a recordar as discussões com os pais, ‘flashes’ de brincadeiras de escola ou ‘polaroids’ desfocadas dos aniversários da irmã. Apenas o escuro e o silêncio de um apartamento demasiado espaçoso para uma pessoa só. Aos 16 anos, ela descia ao nível zero de felicidade e, como sempre, não tinha companhia para partilhar o momento. “Fui corrida pela minha mãe e abandonada pelo meu pai”, revela. “Só queria morrer.” Na manhã seguinte à ‘overdose’ de comprimidos, voltou a abrir os olhos, incrédula. Ou o Céu teria demasiadas semelhanças com o seu quarto, ou o sono eterno não durara, afinal, mais de meia dúzia de horas. Estava viva, embora com uma lancinante dor de estômago e vontade de vomitar. Não discou o 112 nem chamou a atenção da mãe ausente. Mais uma vez, resolveu o assunto, sem ajudas. “Até os comprimidos pareciam estar a fazer complot contra mim”, ironiza.

A estudante havia planeado a sua morte com uma metodologia quase científica, investigando a posologia de ansiolíticos, soporíferos ou anti-histamínicos, nas semanas anteriores. “Certifiquei-me que os comprimidos não me iriam deixar em coma, a vegetar numa cama de hospital. Queria que fosse tudo muito rápido e indolor”, explica numa frieza arrepiante.

Já passaram sete anos sobre as horas mais amargas da sua vida, mas Sandra ainda não consegue falar delas sem verter umas lágrimas traiçoeiras. Guarda um lenço na mão para prevenir inesperadas crises de choro no seu périplo pelo passado. É difícil entender o que levou uma rapariga bonita, filha de professores universitários, com notas altas na escola, a cometer um acto tão drástico.

SANDRA ERA UMA INADAPTADA, andando à deriva pelos corredores do liceu, em Évora. A mentalidade provinciana, de raparigas subservientes e rapazes fanfarrões causava-lhe estranheza. Como não alinhava no jogo, era posta de lado, não fazendo amigos com facilidade. Levava as frustrações para casa, regida pela mãe com punho de ferro: “Nada de televisão até às tantas. Nada de saídas à noite”, lembra. “Só havia tempo para estudar.”

Dia sim, dia não, engalfinhavam-se em discussões estéreis. Dia sim, dia não, o tema do divórcio dos pais vinha à baila, no meio da gritaria e de algumas palmadas. “Não era um ambiente lá muito saudável”, confessa.

Julgando que a Sandra pudesse andar metida em drogas, a mãe desbobinava as tricas caseiras nas reuniões da escola. A intenção não era má, mas num meio tão fechado a sua história passou a ser o tema de conversa preferido entre colegas e vizinhança. “Era um inferno mas nunca me dei ao trabalho de desmentir nada. De que serviria? Já tinha um rótulo.” Acabou por ser expulsa de casa, na ressaca de mais uma explosão doméstica. Só tinha um bilhete de ida para o apartamento do pai, que morava numa cidade algarvia. “Fiz a viagem de carro a chorar. Sentia-me miserável, a pior filha do mundo.”

No lar paterno, o cenário não era mais acolhedor. O pai era uma pessoa distante, mais preocupado com a carreira do que com os devaneios juvenis da filha. Chegava a desaparecer com a namorada aos fins-de-semana, sem a avisar. Sandra ficava vários dias sem o ver. Quando ele regressava, nem se dava ao trabalho de justificar as ausências. “Sentia-me cada vez mais só no mundo”, desabafa.

Quando a amante foi viver com eles, a frágil harmonia desmoronou-se como um castelo de cartas. Foi ódio à primeira vista. “Morríamos de ciúmes uma da outra e disputávamos a atenção do meu pai a toda a hora.” Ele tentou usar a diplomacia para pôr cobro à guerra, mas para Sandra, não havia meio termo. Não queria migalhas. “Ou ficava do meu lado, ou nada feito.” Resultado: quando ela voltou de férias não conseguiu entrar em casa. O pai mudara a fechadura, obrigando-a a ir viver sozinha num outro apartamento dele. “Limitava-se a dar-me dinheiro ou a encher o frigorífico. Depois ia-se embora, como se nada fosse.” Tanto desprezo junto era demais para uma miúda de 16 anos.

Ainda voltou para os braços da mãe, mas foi-se fechando na sua concha, desistindo da escola, dos amigos, da família... Até bater no fundo. Depois do suicídio falhado, tentou enfrentar os problemas pela via mais difícil: abrindo o jogo com a mãe. “Ela não se mostrou surpreendida. Aproveitou a maré de confidências para me revelar que a minha irmã também tentara matar-se com comprimidos, dois anos antes. Foi um baque para mim.” Os abraços e choradeiras voltaram a juntá-las. As duas teriam de recomeçar do zero, no divã do psicólogo. Mas a felicidade ainda estava ao seu alcance.

“QUERO SER FELIZ”. Era este o desejo que Gonçalo pedinchava secretamente, com as doze passas na mão, nas festas de ‘réveillon’. O balanço do ano era sempre tão negativo como as notas em Matemática. Os seus dias não passavam de uma soma de múltiplas rotinas. As manhãs, na última fila da sala de aula, ausente, a rabiscar cadernos. À tarde, em casa, a ouvir os Limp Bizkit com o volume no máximo ou a dar porrada virtual no irmão no ‘Grand Theath Auto’, o jogo preferido da Playstation.

Tudo mudara quando aos quinze anos descobriu um revólver castanho, escondido entre cartas e recibos da renda na mesinha de cabeceira do pai. Deu com ele por acaso quando esgravatava entre a papelada em busca de um cigarro perdido. Nos raros momentos em que o T-3 se encontrava vazio, esgueirava-se para o quarto dos pais, abria a gaveta e acariciava o segredo mais bem guardado da família: “A arma era linda e mais leve do que parecia à primeira vista. E tão fácil de manejar”, suspira.

Nos primeiros tempos, gostava de andar com o revólver pelos corredores imitando o estilo dos polícias das séries americanas. Numa dessas perseguições a ladrões imaginários, quase foi apanhado pelo irmão mais novo, que se baldara às aulas de natação. “Queria parar de brincar com a pistola, até porque estava carregada e podia acontecer uma desgraça, mas não conseguia. Era o meu escape.” Se, na escola, os colegas gozavam com a sua gaguez, as borbulhas, a falta de namoradas e por ser o eterno repetente, em casa, os serões terminavam em acesas discussões: as notas miseráveis, as saídas à noite até às tantas, o casaco a cheirar a tabaco, tudo servia de pretexto para levar uns tabefes do pai, um severo militar na reserva, que lhe deixavam o rosto a arder. A avó e a mãe não se atreviam a meter, mas pelo olhar reprovador e conversas em surdina, ele adivinhava o que lhes ia na alma: “O meu irmão era o menino bonito: recebia os melhores presentes, os elogios, os beijinhos. Eu era a ovelha negra, um zero à esquerda. Fazia tudo mal.”

NUM DIA DE DESESPERO, não muito diferente dos outros, voltou a abrir a gaveta. Não para brincar aos polícias e ladrões. Com as batidas do coração em descompasso, encostou o cano gélido do revólver na testa. O dedo indicador tremia não muito longe do gatilho. “Estava farto de tudo e de todos”, diz ainda com angústia na voz. Ele congeminara aquela cena durante as intermináveis noites de insónia. Não lhe escapara nenhum detalhe: iria disparar uma bala sem deixar bilhetes de despedida. Desejava que a sua morte deixasse uma mancha de sangue, na carpete e na consciência de toda a família. “Lembro-me de pensar: e se ninguém viesse a sentir a minha falta? E se até suspirarem de alívio com o meu desaparecimento?” A raiva ia e vinha, com mais força do que as terríveis enxaquecas. As lágrimas caíam-lhe a rodos pela cara. Uma tarde inteira escoou-se entre os dedos. “De repente, achei aquilo tudo ridículo e com uma excessiva carga dramática”, conta.

Quando voltou a baixar o braço teve uma certeza: já não se queria matar mas tinha de fazer explodir a sua fúria. Num gesto impensado, abriu a janela, fechou os olhos e deu um tiro para os céus de Lisboa. O corpo estremeceu. Gonçalo perdeu os sentidos. “Quando acordei, a primeira coisa que vi foi o revólver, a poucos metros de mim. Entrei em pânico. E se alguém me visse ali, o que lhes iria dizer?” A cambalear, dirigiu-se ao quarto dos pais, depositando a arma entre os papéis. Depois, só uma imagem em branco...

Só se lembra de ser acordado pela mãe no sofá da sala, à hora do jantar. “Estava excitadíssima.” A vizinhança falava de um estrondo na praceta. Um mistério que até hoje nunca foi esclarecido. “Tive sorte de não ter magoado ninguém”, suspira. Preferiu calar-se, como se tudo não tivesse passado de um pesadelo. Além disso, se revelasse à família que tentara estoirar os miolos, iriam julgar que perdera o juízo e ainda se arriscava a apanhar mais umas estaladas valentes. Com uma força de vontade que nunca conhecera antes, Gonçalo arrumou os pensamentos autodestrutivos numa gaveta imaginária. Hoje, estão mais bem trancados do que o revólver do pai. Só o médico de família conhece o seu segredo inexpugnável: “Aprendi uma lição. Não há nada assim tão mau que mereça que acabemos com a nossa própria vida”, diz num tom solene.

PAULO RI-SE DA CENA. À distância, até parece caricata. A chegada às consultas de psicodrama, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, assemelhava-se a um jogo de escondidas. Os pacientes que lá se encontravam, na sala de espera, evitavam cruzar-se consigo, a todo o custo. Um ‘olá’ ou um aceno tímido com a cabeça eram entendidos como um cumprimento efusivo mas o mais natural era cuspirem um grunhido imperceptível. Depois, espalhavam-se pelos corredores ou escadas do hospital, como se fossem meros desconhecidos à espera de um autocarro – embora daí a minutos estivessem todos reunidos numa sala a partilhar os mais recônditos problemas psicológicos, sem tabus. Não era nada de pessoal. Tal como Paulo, de 16 anos, também eles eram doentes amedrontados como gatos escaldados, a quem lhes fora diagnosticada uma ‘fobia social.’

Uns tempos antes das idas frequentes ao hospital, a sua família tinha a inabalável convicção de que, mais dia, menos dia ele iria cometer uma loucura. Bastava ler nas entrelinhas das letras que escrevia para a banda de ‘metal’ progressivo, onde tocava bateria. A morte era um espectro que o atormentava, obsessivamente, dia e noite. “A música era o meu elo ao mundo dos vivos. Quando a banda acabou, senti os pés a fugirem-me.”

Os indícios de uma depressão profunda acumulavam-se: à noite, adormecia com um pensamento obsessivo: “Não quero acordar amanhã.” Quando abria os olhos, as frases suicidas voltavam à carga: “Não passa de hoje. Não passa de hoje.” Paulo recorda-se de no primeiro dia das aulas do 11.º ano, segredar ao ouvido de um amigo, em tom enigmático: “Este ano, vou chumbar.” Nem os sorrisos atrapalhados do colega o convenceram do contrário. A meio das aulas, levantava-se da carteira e fugia de rompante em direcção aos lavabos, com vontade de vomitar. Mas ao debruçar-se sobre o lavatório não lhe saía nada do corpo. O mal-estar escondia-se nos labirintos da alma torturada. Voltava a sentir-se melhor quando atravessava os portões da escola em direcção a casa, em Carcavelos. “Deixei de ir às aulas e fechei-me entre as quatro paredes. Não conseguia estar rodeado de muitas pessoas”, assume.

O mais irónico é que ninguém o maltratava, nem tinha sofrido traumas inultrapassáveis. Chegava a fazer figas para vir a ter um problema dramático: um familiar com uma doença incurável, a morte de um amigo. Mas nenhuma tragédia teve lugar. Era um suicida sem causas. Só o divórcio dos pais, aos oito anos, o impediu de ter uma infância ‘normal’. “O problema era eu. Sentia-me inferior a toda a gente. Estava farto de mim.” Embora arquitectasse, dia e noite, em pôr fim à vida, acabou por nunca dar o passo fatal. “Tinha a vontade mas faltava-me a coragem.”

HOJE, ELE GOSTA DE ESPAIRECER no areal da Praia das Maçãs. A anarquia da espuma branca das ondas serena-lhe o espírito. Imagina-se na pele um náufrago a agarrar uma bóia de salvação, tal como ele quando começou a ir às consultas de psiquiatria. “Se não fosse a ajuda dos médicos, não sei se estaria aqui a ver o mar, tranquilamente”, confessa o estudante de fotografia, que nunca chegou a largar a terapia. Só os antidepressivos. “Abandonei os medicamentos. Não são as drogas que nos fazem estar bem.”

A mão amiga do pai, que o convidou para trabalhar no negócio dele, foi decisiva para sair da crise existencial. No início, limitava-se a carregar caixotes no armazém, mas em poucos meses já geria o sistema informático da empresa. “Comecei a sentir-me útil e a perceber que era igual a qualquer pessoa.” De repente, apetecia-lhe fazer tudo, como que a compensar as longas temporadas de apatia: tirou a carta de condução de carro e de mota, voltou a estudar à noite, reuniu os membros da banda de ‘heavy meatal’ e até arranjou uma namorada. O passado atribulado parece, à primeira vista, ultrapassado. Mas se amanhã o convidassem para um animado jantar de anos de colegas de turma, talvez não aparecesse: “Já lá vai o tempo em que me forçava a alinhar nos programas todos, só para dizer ao mundo que já estava bem.”

Nos últimos tempos, tem feito descobertas importantes. A mãe revelou-lhe que o levou a uma psicóloga quando ele tinha sete anos de idade. No final da consulta, a médica terá sentenciado: “O seu filho não é uma criança como as outras. Vai dar-lhe muitos problemas pela vida fora.” A família tem um historial negro em matéria de depressões – as tias e a irmã já bateram à porta de quase todos os psiquiatras de Lisboa e pairam à tona de água à custa de comprimidos. Uma desconfortável herança que o leva a especular sobre a possibilidade de um dia voltar a ser enfeitiçado pela morte. Paulo prefere sacudir esses pensamentos, como quem se livra da incómoda areia da praia colada à camisola: “Desci ao Inferno e sobrevivi. Um dia irei estampar esta frase numa camisola.” Para nunca se esquecer dos dois anos perdidos da atormentada juventude.

ANO NOVO, VELHOS PROBLEMAS

Os psicólogos consideram o final de um ano, e o início do seguinte, como um período propício a grandes depressões. Em altura de balanços, é usual acentuarem-se os aspectos negativos: um divórcio, um emprego perdido ou a morte de um ente próximo podem ser recordados com maior intensidade e excessivamente dramatizados.

Os Invernos rigorosos dão também origem ao fenómeno da depressão sazonal, desencadeada pelo frio, dias mais curtos e com menos luz. Pio Abreu, psiquiatra e autor do livro ‘Como Tornar-se Doente Mental’, defende: “a depressão é uma doença ligada aos ritmos biológicos que, em estado normal, se caracterizam pelo desenvolvimento de energia durante o dia e quase hibernação durante a noite. E é a dessincronização desses ritmos que está na origem da maior parte das depressões.” Fevereiro tem sido, durante a década de noventa, o mês com maior número de suicídios entre as mulheres portuguesas. E Janeiro continua a ser outro dos períodos negros de suicídios.

B.I. DO JOVEM SUICIDA

Estudo dos Hospitais Universitários de Coimbra, efectuado a 220 pacientes adolescentes que tentaram pôr fim à sua própria vida. 72 por cento são estudantes.

MÉTODOS SUICIDAS

- Comprimidos: São a maneira mais vulgar dos adolescentes tentarem o suicídio.

- Pesticidas: Usados com frequência no meio rural, onde estão mais à mão.

- Cortes: O terceiro método mais popular entre jovens que tentam matar-se.

- Outros: Tiros de pistola e enforcamento estão no fim da lista de suicidas.

POR IDADE

- Até aos 16 anos: 20,1 por cento.

- 17 anos: 31 por cento.

- 18 anos: 31,3 por cento.

- 19 anos ou mais: 17,7 por cento.

CLASSE SOCIAL

- Alta: 1 por cento.

- Média alta: 14 por cento.

- Média baixa: 58 por cento.

- Baixa: 27 por cento.

ANTECEDENTES FAMILIARES

- Abuso infantil: 30 por cento.

- Violação: 12 por cento.

- Chumbos académicos: 39 por cento.

- Falta de confiança: 24 por cento.

- Outros: 6 por cento.

FAMÍLIA

- Vive com os pais: 79 por cento.

- Vive com o pai: 1 por cento.

- Vive com a mãe: 12 por cento.

- Vive com outros: 8 por cento.

HORAS DO DIA EM QUE SÃO COMETIDOS MAIS SUICÍDIOS

- 00h00 às 04h00: 7 por cento.

- 04h00 às 08h00: 6 por cento.

- 08h00 às 12h00: 17 por cento.

- 12h00 às 16h00: 17 por cento.

- 16h00 às 20h00: 21 por cento.

- 20h00 às 24h00: 32 por cento.

Núcleo de Estudos do Suicídio, efectuado a 822 jovens de escolas secundárias de Santarém, Évora, Lisboa e Guimarães.

TENTATIVA DE SUICÍDIO ENTRE JOVENS AUMENTA

VONTADE DE MORRER

Portugal tem uma das taxas de suicídio mais baixas da União Europeia, mas as tentativas de suicídio têm aumentado todos os anos, principalmente entre as adolescentes. As raparigas utilizam métodos de baixa mortalidade, como medicamentos ou cortes superficiais e geralmente querem chamar apenas a atenção da família e amigos. Carlos Brás Saraiva, psiquiatra e ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia alerta: “Os homens mais velhos suicidam-se mais, mas as mulheres, principalmente as adolescentes, para-suicidam-se mais.” Segundo o especialista, estas jovens, em geral, provêm de meios suburbanos, onde o território é menor, aumentando assim a probabilidade de ocorrência de conflitos familiares e querelas emocionais. “Elas utilizam o corpo como forma de linguagem do seu sofrimento”.

OS TRAUMAS DA PEDOFILIA

S.O.S. CASA PIA

‘Nuno’, de 19 anos, uma das principais testemunhas do processo Casa Pia, tentou suicidar-se em Novembro com Gramoxone, um herbicida venenoso. Ao acto de desespero não terá sido alheio o facto de ter sido obrigado a recordar os horrores por que passou na Casa Pia. Mas ‘Nuno’ não foi o primeiro aluno da instituição a tentar pôr termo à vida durante a investigação. ‘João A.’, uma das testemunhas que envolveu Paulo Pedroso e Jorge Ritto no escândalo de pedofilia não terá aguentado a pressão a que estava a ser submetido, ingerindo comprimidos para dormir. Outro casapiano, ‘Jorge’, de 18 anos, jovem que acusa Ferreira Diniz e Carlos Silvino, tentou suicidar-se por duas vezes desde que foi desencadeado o processo. A primeira tentativa aconteceu em Abril de 2003: Jorge atirou-se do segundo andar do Colégio para o pátio, ficando com a cara desfeita. A segunda tentativa foi levada a cabo em Junho, quando já decorria o julgamento. O rapaz, considerado muito vulnerável e com historial de internamentos psiquiátricos, espetou uma faca na barriga. Foi sujeito a uma delicada intervenção cirúrgica e esteve vários dias internado.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8