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Suicídio Assistido e Eutanásia

O que antes se fazia por acordo tácito - veja-se os ‘abafadores’ de Torga - agora impõe-se a necessidade da lei.

02 de abril de 2017 às 12:30

Por Maria Filomena Mónica

O debate sobre o suicídio assistido e a eutanásia implica que nos debrucemos sobre a natureza e o significado da morte. Há três formas de abordar o tema: a religiosa, a científica e a filosófica. A religiosa vê a morte como o momento da entrada num mundo transcendente; a científica como a extinção de um organismo; a filosófica como algo que deve ser considerado em função da totalidade da vida. A morte é o termo de um processo biológico e um acontecimento na vida de um ente moral. É certo que o papel da religião nas sociedades ocidentais está em regressão, mas isto não nos deve levar a pensar que a ciência pode substituir a moral.

Relação médico-doente

Qualquer revisão das leis que governam o tratamento médico deve ser pensada para nos dar um final de vida digno. É por isso que uma relação prolongada doente- -médico é importante: só ela permite ao segundo ver o primeiro como uma pessoa e não como linhas numa ressonância magnética. É evidente que não poderíamos manter as relações que, no passado, existiam entre os doentes, quase sempre ricos, e os médicos, quase sempre de clínica geral. O progresso mudou tudo. Mas convém pensar que o ideal seria manter esse laço, sabendo que o doente terminal irá estar diante de um clínico que o vê pela primeira vez. Não se pense que estou ansiosa por dispor de leis e decretos sobre a morte. Preferiria viver num Mundo sem demasiadas regras, mas sei que isso é impossível, porque os doentes querem defender os seus direitos.

O que dantes se fazia por acordo tácito - veja-se os ‘abafadores’ do conto de Torga - passou a ser analisado nos parlamentos, governos e tribunais. A verificar-se uma reforma na forma como a lei encara o suicídio assistido e a eutanásia, a percepção da morte sofrerá uma mudança. Enquanto, no passado, havia uma linha - "Não matarás" - podemos chegar a uma situação em que, do ponto de vista moral, já não se sabe onde reside o tolerável. Termino com uma sugestão: ‘Euthanasia: The Case for the Good Death’ (Chatto&Windus) de Ludovic Kennedy, um intelectual da geração gloriosa que dominou a BBC nos anos 1950 a 1980.

Televisão

O extraordinário arquivo da estação do estado 

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Alimentação

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A ideia, fomentada pelos supermercados, de que a fruta tem de ser redondinha é uma parvoíce. Aplaudo assim a iniciativa da cooperativa Fruta Feia, que, nos últimos três anos, salvou 500 toneladas de fruta e de hortaliças da lixeira, ajudando 116 agricultores a escoar os seus produtos. Se quiser aderir, basta ir ao site.   

Património

Preciosidade do Jardim Botânico precisa de obras

Só descobrimos as preciosidades quando temos estrangeiros em casa. Depois de aqui ter mencionado o Observatório da Ajuda (de 1867), verifico que o do Jardim Botânico de Lisboa (de 1898) carece de reparação. As obras, começadas no fim de 2015, foram interrompidas após um incêndio e assim permanecem.   

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