1,2 milhões de mulheres ganham até mil euros por mês

Estudo da CGTP chama a atenção para a discrepância salarial entre homens e mulheres.

18 de fevereiro de 2026 às 01:30
Maioria das trabalhadoras portuguesas ganhava pouco mais do que o salário mínimo Foto: Getty Images
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Cerca de 1,2 milhões de trabalhadoras ganha até mil euros por mês de remuneração bruta, de acordo com os últimos dados disponibilizados pela Segurança Social. Destas, "411 milhares auferiam apenas o salário mínimo nacional, no valor de 870 euros, representando 20,5% do total, ou seja, uma em cada cinco trabalhadoras", detalha a CGTP num estudo com base nos dados sobre as remunerações de novembro de 2025. 

A maioria das mulheres ganhava assim, no final do ano passado, pouco mais do que o salário mínimo nacional, num universo total cerca de dois milhões de trabalhadoras. De resto, encontram-se mais mulheres a ganhar menos de 600 euros mensais (cerca de 52 mil no primeiro escalão de remunerações) do que mais de quatro mil euros, o escalão mais elevado, definido pela Segurança Social que contabiliza perto de 31 mil trabalhadoras. 

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"No total, 80% das trabalhadoras recebiam no máximo 1 500 euros de salário base bruto (em novembro de 2025), ou seja, quatro em cada cinco trabalhadoras", aponta o estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher.

Segundo a análise, o rendimento médio salarial líquido das mulheres era de 1 214 euros por mês no quarto trimestre de 2025, 14,4% inferior ao dos homens (menos 205 euros), que se situava em 1 419 euros.  Esta discrepância é mais evidente nas trabalhadoras com vínculos de trabalho precários, que recebem, "média, menos 20% que as trabalhadoras com vínculo permanente no caso dos contratos com termo e menos 33% no caso do falso trabalho independente", realça a CGTP com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

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"Este diferencial agrava-se nas qualificações mais elevadas", aponta a CGTP, sublinhando que "existe uma diferença de 12% no salário base bruto em desfavor das mulheres -- diminuindo ligeiramente em relação ao ano anterior - o que em valores absolutos corresponde a menos 166,5 euros mensais, e de 14,6% nos ganhos, num total de menos 248 euros recebidos pelas mulheres todos os meses".

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