Ameaça de greve leva a recuo nas 35 horas
Ministro das Finanças quer discutir "soluções".
O PS não faz questão na data de entrada em vigor. É o menos importante." Os socialistas protagonizaram ontem um recuo na questão da entrada em vigor das 35 horas semanais na Função Pública só em julho. O PS volta atrás depois das críticas da Esquerda e da ameaça de uma greve geral, marcada pelos sindicados.
A deputada socialista Luísa Salgueiro explicou no parlamento que o PS incluiu no seu projeto de lei uma data "indicativa" e não vinculativa. "Quando as condições estiverem criadas para que os serviços funcionem regularmente, com os funcionários a trabalharem sete horas diárias, então a lei entrará em vigor. Se for antes da data que está fixada no diploma, o PS não faz questão de que a lei só entre em vigor em julho."
O plano original dos socialistas era que as 35 horas só regressariam ao Estado em julho, mas a posição gerou críticas do BE, PCP e PEV e culminou com a ameaça de uma greve geral no dia 29. Perante o recuo, os sindicatos esperam por garantias para desconvocar a greve. "Nós não fazemos a greve pela greve" disse ao CM José Abraão, do Sintap. O sindicalista não dá um mês limite para que a Função Pública regresse às 35 horas, mas aponta balizas: "Concluído o processo legislativo, que deve demorar mês e meio, a medida deve entrar em vigor". Helena Rodrigues, do STE, critica a "manobra de diversão" e espera receber hoje garantias do ministro das Finanças, Mário Centeno, de que a medida entrará em vigor o mais cedo possível. Já a líder da Frente Comum, Ana Avoila, não cede. "Vamos ouvir o ministro e aguardar pelas explicações do PS, mas até ao momento vai-se manter a greve." Mário Centeno reúne-se hoje com os três sindicatos da Função Pública. O Governo diz que vai aproveitar o período de discussão dos diplomas para introduzir "soluções" que travem a despesa com pessoal, ao nível das horas extraordinárias.
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