Angola recorreu a Constâncio (ACTUALIZADA)
O Estado angolano, antes de apresentar queixa na Procuradoria-Geral da República (PGR) portuguesa, contra o advogado Francisco da Cruz Martins e outros – pelo desaparecimento de 104 milhões de euros que deviam ter sido usados na compra de 49% de acções do Banif –, solicitou a intervenção do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, apurou o CM junto de fonte ligada ao processo.
No início de 2008, Amadeu Maurício, que ainda era governador do Banco Nacional de Angola (BNA), terá vindo a Portugal onde teve uma reunião com Vítor Constâncio em que lhe contou que, entre 1994 e 2000, o seu Governo efectuou pagamentos para a compra de acções daquele banco.
Só em 2008, e depois de o advogado português reclamar 19 milhões de euros em honorários pela compra das acções, é que o Estado angolano percebeu que, afinal, não tinha nada, uma vez que deixou de conseguir contactar Cruz Martins quando pediu para que as acções fossem transferidas para o nome do Instituto Angolano de Participações do Estado. Passados alguns meses do encontro com Constâncio, e sem solução à vista, o Estado angolano avançou com uma queixa-crime na PGR. Este ano, e depois de o processo ter passado para as mãos da sociedade de advogados Amaral Blanco, Portela Duarte e Associados (ABPD), houve avanços significativos. Os antigos governadores do BNA, Amadeu Maurício, Generoso de Almeida e António Furtado, já foram ouvidos como testemunhas. Até à hora de fecho desta edição não foi possível contactar Vítor Constâncio.
PORMENORES
INTERVENIENTES
Os empresários António Figueiredo e Eduardo Capelo Morais e o advogado Francisco Cruz Martins constam da lista de nomes que os angolanos entregaram à PGR.
PROCURADOR ANGOLANO
Pinto Monteiro, procurador-geral, deverá receber na próxima semana o seu homólogo angolano, João Maria Moreira de Sousa.
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