Aumento dos preços dos combustíveis reduz número de feirantes
Presidente da Federação Nacional das Associações de Feirantes diz que vendedores são incapazes de repercutir no valor dos produtos o aumento do preço dos combustíveis.
O presidente da Federação Nacional das Associações de Feirantes revelou esta quinta-feira que a guerra no Médio Oriente fez diminuir o número dos feirantes, que são incapazes de repercutir no valor dos produtos o aumento do preço dos combustíveis.
Segundo Joaquim Santos, o conflito no Médio Oriente "implica um aumento de 30 a 40 euros de cada vez que é preciso atestar um depósito para ir para uma feira (...) sendo que, muitas vezes, os feirantes não sabem se ao fim do dia vão conseguir ter retorno desse custo".
A situação agrava-se, segundo Joaquim Santos, pelo facto de "ser quase impossível fazer repercutir esse custo no preço dos produtos que vendem ao consumidor final", uma realidade que já "obrigou feirantes a procurar outra forma de vida, depois de um inverno que também não foi muito favorável para este mercado" devido ao mau tempo.
O contexto atual pede também a revisão da lei 10/2015, que rege as feiras e mercados, nomeadamente o tempo de ocupação do espaço da feira, obrigando à rotatividade, assinalou o responsável.
"Hoje não há feirantes suficientes que justifiquem essa rotatividade. É uma situação que cria ainda mais instabilidade num mercado já de si instável", argumentou o dirigente.
Segundo Joaquim Santos, há "feiras com 200 lugares livres, abre um concurso e quase não se consegue ocupar cinco, ou seis ou 10, seja porque os feirantes atingiram a idade de reforma ou porque a concorrência é de tal forma agressiva que acabam por deixar a atividade por não conseguirem fazer face às despesas".
Joaquim Santos criticou também os governos e a União Europeia por "terem criado o maior paraíso fiscal" ao "nada fazerem" para combater as "vendas 'online'".
"A concorrência não é desleal, é desumana", disse à Lusa o dirigente, que elogiou o "trabalho excelente da ASAE [Autoridade de Segurança Alimentar e Económica] para acabar com a contrafação nas feiras", mas considerou ser "incompleto, por não conseguir acabar com as vendas 'online', que estão a céu aberto".
Das conversas "recentes com o Governo", Joaquim Santos disse ter "visto vontade para mexer nesta legislação", apelando, também, aos municípios para que "consigam ver e desenhar as feiras no momento atual".
"Se os municípios não tiverem olhos de ver, quando derem por ela têm as suas feiras a 50% ou desertas, porque cobram taxas muito altas e as feiras continuam em zonas sem grande capacidade de estacionamento", continuou.
O leque de críticas estende-se também aos agentes da autoridade, afirmando Joaquim Santos que, "em dias de feira, as próprias forças policiais parecem que têm gosto próprio em penalizar o cliente que procura espaços para estacionar multando-os, em vez de ter uma atitude de tolerância".
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão, que retaliou com mísseis e drones, bem como com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, importante rota do petróleo mundial.
Tal bloqueio causou forte alta nos preços de petróleo e gás, gerando volatilidade nos mercados de energia.
Os efeitos económicos globais também têm vindo a incluir pressão inflacionária, aumento dos custos de transporte e logística e instabilidade nos mercados financeiros.
Após mais de um mês de confrontos, o cessar-fogo provisório anunciado na quarta-feira trouxe algum alívio, mas a incerteza geopolítica e os impactos sobre cadeias de abastecimento e preços de energia devem persistir nos próximos meses.
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