Chocolate e bombons com sabor a Alentejo
Com o calor de partida para outras latitudes, recomeça a azáfama na fábrica da Mestre Cacau, em Beja. É assim desde 2005, quando o casal João e Célia Dias e o amigo João Pedro Rosa (entretanto falecido), inspirados pelo que tinham visto (e provado) em recentes viagens à Bélgica e França, decidiram romper a tradição da região e apostar num negócio pouco vulgar na planície alentejana: a chocolataria.
"Apostámos no chocolate exactamente por ser pouco ou mesmo nada habitual no Alentejo. É verdade que se deve apostar em sectores onde a região é forte, como é o caso do azeite, do vinho e do queijo mas, por outro lado, as potencialidades do Alentejo vão muito mais além do tradicional e do convencional", justifica ao CM Célia Dias, uma das sócias da Mestre Cacau. A aposta parece ter sido certeira e apesar dos dois primeiros anos terem sido marcados por algumas dificuldades, o crescimento da Mestre Cacau tem sido bastante positivo. "A evolução tem sido crescente e notamos que, de ano para ano, é maior o número de clientes que nos contactam", revela Célia Dias, sem reservas em apontar os "ingredientes" do sucesso. "Sem dúvida, a paixão por esta arte. O chocolate é mais do que um produto doce! Muitas vezes é a forma de agradecer a um amigo ou de dizer aos entes queridos que gostamos deles. E na Mestre Cacau tentamos ir sempre ao encontro das expectativas e das necessidades dos nossos clientes", conta.
Representando um investimento a rondar os 220 mil euros, a Mestre Cacau dá actualmente emprego a seis pessoas e, além de uma pequena unidade fabril nos arredores de Beja, possui loja própria no centro da cidade. Em 2011, a empresa registou um volume de negócios a rondar os 235 mil euros, tendo transformado cerca de 15 mil quilos de chocolate e vendido perto de sete mil quilos de bombons. Entre estes, a gama ‘Alentejo e Chocolate’ é a mais apreciada, especialmente os bombons de medronho e as trufas de alecrim. Mas o portefólio da Mestre Cacau é muito mais vasto, combinando nas suas receitas originais o travo doce do chocolate com os sabores do vinho da Vidigueira (tinto e branco), do azeite virgem, do mel da serra de Mértola ou de especiarias como a canela, a pimenta, o cravo-da-índia ou a noz-moscada. Todos estes produtos podem ser encontrados em lojas gourmet e pequenas chocolatarias, assim como nos Açores e na Madeira.
Mais recentemente, a Mestre Cacau começou a vender para a Polónia e, sobretudo, para Espanha, onde todos os meses chegam cerca de 100 quilos de bombons alentejanos. "O cliente de Espanha tem uma grande admiração por Portugal e por toda a nossa doçaria, e muitos dos produtos que usamos nos bombons também são muito conhecidos em Espanha", argumenta Célia Dias. Em tempo de austeridade, também a Mestre Cacau nota a crise no bolso dos seus clientes. Ainda assim, a empresa está a colaborar num projecto, financiado pelo PRODER, avaliado em cerca de 100 mil euros, que tem por objectivo desenvolver produtos inovadores, com recurso a produtos tradicionais, nomeadamente o medronho. "Tentamos assim alargar o leque para a área da confeitaria e possivelmente para uma segunda loja", acrescenta Célia Dias. n
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