Combustíveis, alimentos e prestação de casas mais caros devido à guerra no Médio Oriente

Combustíveis deverão aumentar 10 cêntimos já na próxima semana.

04 de março de 2026 às 01:30
Fecho do estreito de Ormuz e ataques do Irão a refinarias fizeram disparar o preço dos combustíveis Foto: Getty Images
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As consequências económicas da guerra no Médio Oriente vão atingir Portugal a três níveis: aumento dos combustíveis, aumento da inflação e subida da prestação dos empréstimos à habitação. A subida dos preços da gasolina e do gasóleo é inevitável, com o encerramento do estreito de Ormuz, ponto de passagem de cerca de 20 mil milhões de barris de petróleo por dia. Na terça-feira chegou a atingir os 85 dólares, o valor mais alto desde julho de 2014. Especialistas admitem que possa chegar aos 100 euros.

O aumento dos combustíveis chega já na segunda-feira, com os responsáveis da Anarec - Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis a apontarem para uma subida de 10 cêntimos. O valor de referência será conhecido sexta-feira. De referir que esta semana já aumentaram. A boa notícia é que não haverá escassez, já que há reservas para 90 dias. Também o preço do gás natural está a escalar para valores próximos dos 50%. Neste caso o efeito será menor, mas acabará por se fazer sentir. “Com esse ambiente é impossível que não venha a aumentar também”, alertou Mafalda Trigo, vice-presidente da Anarec, à RTP Noticias. O aumento do preço do petróleo terá reflexos nos preços dos bens, nomeadamente da alimentação e, consequentemente, na inflação. É o próprio Banco Central Europeu (BCE) a admiti-lo: um conflito prolongado pode levar à queda persistente no fornecimento de energia e a um aumento substancial da inflação na Zona Euro, disse o economista-chefe do BCE, Philip Lane, em entrevista ao Financial Times.

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A terceira consequência expectável é a subida da prestação da casa, com o aumento das taxas de juro, por efeito do crescimento da inflação.

Os efeitos da guerra serão maiores quanto mais tempo durar o conflito. E este é o ‘fator-surpresa’ da intervenção militar dos EUA e Israel no Irão. Aquilo que foi projetado para ser uma operação relativamente rápida foi ultrapassado pelos acontecimentos e tanto norte-americanos como israelitas perspetivam agora que durará algumas semanas. 

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