Conselho Económico e Social quer apoio "um a um" para jovens açorianos que não estudam nem trabalham

Especialista em Emprego e Educação realçou a necessidade de uma "consensualização" entre os partidos para ser possível "implementar medidas duradouras".

08 de abril de 2026 às 17:49
Jovens Foto: Luís Duarte
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Um estudo do Conselho Económico e Social dos Açores (CESA) propõe uma "consensualização" política e o "acompanhamento um a um" para reduzir os cerca de 7.800 jovens que não estudam, nem trabalham (NEET) na região.

"O que é relevante são os cerca de 7.800 jovens [NEET] que convém conhecer todos. Dentro desses, uns 3.200 estão inscritos nos serviços públicos de emprego e há a grande maioria, mais de quatro mil, que não estão sinalizados em sítio nenhum", afirmou à agência Lusa Rui Bettencourt, da comissão especializada permanente de Educação e Formação do CESA.

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O estudo, apresentado esta quarta-feira por Rui Bettencourt na Biblioteca Pública de Ponta Delgada, sugere 21 medidas para reduzir o número de jovens que não estudam, nem trabalham, como o "acompanhamento um a um" e o reforço das "respostas sociais".

"É necessário, em primeiro lugar, irmos ver onde é que estão. Em segundo lugar, arranjar respostas reais e respostas sociais porque há problemas de habitação, de saúde e outros problemas", destacou.

Rui Bettencourt alertou que a problemática dos jovens NEET "é ao mesmo tempo económica e social", uma vez que tem impacto negativo estimado de 150 milhões de euros na economia regional.

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"Temos de arranjar respostas efetivas em termos de qualificação com oferta formativa muito alargada de acordo com os desejos desses jovens e de acordo com as necessidades de economia", defendeu.

O especialista em Emprego e Educação realçou, também, a necessidade de uma "consensualização" entre os partidos para ser possível "implementar medidas duradouras".

"A primeira questão é a consensualização entre várias forças sociais, parceiros sociais, forças políticas acerca da importância de se tratar essa questão", sinalizou.

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Segundo o estudo, a taxa de jovens NEET nos Açores é de 14,1%, um valor que o CESA propõe reduzir para 10% em 2032 e 6% em 2036.

O CESA defende igualmente a "deteção sistematizada" e o "mapeamento de competências" dos jovens NEET, a "garantia de um leque de respostas sociais", o alargamento da oferta formativa, o "desincentivo de medidas passivas de emprego", como as ocupacionais, e o aumento de bolsas de estudo.

Na sessão, a presidente do CESA, Piedade Lalanda, alertou que a baixa escolarização ou o abandono precoce não só prejudica a economia e a coesão social, como "compromete o desenho do investimento no futuro que se quer sustentável" para os Açores.

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"Precisamos de trabalhadores escolarizados em todas as áreas, na agricultura, nas pescas, nos serviços, nas áreas tecnológicas. Por isso, urge potenciar a mais-valia de sermos ilhas rodeadas por mar profundo e rico onde podemos desenvolver novas áreas de riqueza e investigação", afirmou Piedade Lalanda.

Já a secretária da Juventude, Habitação e Emprego do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), Maria João Carreiro, revelou a intenção de reforçar o investimento no "despiste e orientação vocacional" através do Gabinete de Orientação Vocacional e Profissional (GOVP).

"Vão ser reforçadas e aprofundadas as sessões de despiste e orientação vocacional e profissional dos jovens em idade escolar, sensibilizando-os para a elaboração de um projeto profissional individual, uma etapa essencial para evitar a entrada destes jovens na circunstância NEET", anunciou Maria João Carreiro.

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