Em média, os jovens nacionais demoram 11 meses a encontrar trabalho, os imigrantes conseguem fazê-lo em cinco meses. Estudo destaca que aceitam "empregos piores".
São na maioria oriundos de países de língua oficial portuguesa, têm ensino secundário e estão concentrados em Lisboa. Precisam de trabalhar para obter o visto de residência e, por isso, aceitam "empregos piores". Este será o motivo para os jovens imigrantes inscritos no centro de emprego terem demorado menos tempo a encontrar trabalho do que os portugueses, no ano passado.
Segundo os dados do estudo 'Jovens à procura de emprego no IEFP: Características, trajetórias e colocações', a que o jornal Público teve acesso, enquanto os jovens nacionais demoram em média 11 meses a encontrar trabalho, os imigrantes conseguem fazê-lo em cinco meses. Os números chegam a ser mais contrastantes quando se fala na procura do primeiro emprego, com os imigrantes a conseguir trabalho com quatro meses e meio de procura e os portugueses com 15,5 meses.
De acordo com a pesquisa, no segundo trimestre do ano, dos 51 636 jovens inscritos no IEFP (com idades compreendidas entre os 16 e os 29 anos) 18,5% eram imigrantes. Número que expressa já alguma representatividade entre a população desempregada.
A investigação contraria a ideia de que os estrangeiros têm mais dificuldades em integrar-se no País e revela as "transformações no mercado de trabalho português, no qual a população imigrante tem uma importância cada vez maior".
Este grupo é maioritariamente constituído por jovens imigrantes de países da CCLP (64,9%) que têm o ensino secundário (63,5%). A data da recolha dos dados, apenas um quinto recebia subsidio de desemprego.
O estudo dá conta de que "os imigrantes estão dispostos a aceitar empregos piores do que as suas expectativas iniciais". Em causa poderá estar, segundo os autores, a pressão acrescida que os mesmos sofrem para a obtenção de vistos de residência. "Veem-se obrigados a aceitar estas oportunidades", dizem
De 8026 colocações efetuadas pelos centros de emprego no segundo trimestre de 2023, 21% diziam respeito a jovens imigrantes.
A investigação dá ainda conta de dois grupos especialmente vulneráveis: os jovens pouco qualificados e os jovens que terminaram a licenciatura em área com baixa taxa de empregabilidade.
36% dos jovens inscritos no IEFP no ano passado não tinham ensino secundário e, por isso, enfrentam "claras dificuldades em competir com uma força de trabalho cada vez mais escolarizada".
O cenário também é difícil para os jovens que terminaram o curso em licenciaturas nas áreas de ciências sociais, artes e humanidades. Representaram quase metade dos jovens escritos no IEFP no ano passado. Os investigadores recomendam uma melhor articulação entre as universidades e o mercado de trabalho para combater o problema.
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