Custo da guerra na Ucrânia é o "preço da liberdade", destacou o vice presidente da UE

Conflito está a ter efeitos significativos devido ao afluxo de refugiados e à forte dependência do gás russo.

14 de março de 2022 às 15:59
Josep Borrell Foto: EPA
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O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, admitiu esta segunda-feira "grandes prejuízos económicos" para o espaço comunitário com a guerra da Ucrânia, causada pela invasão russa, vincando que "o preço a pagar é o da liberdade".

"A guerra de Putin contra a Ucrânia já causou milhares de mortes, mas também grandes prejuízos económicos a nível mundial. Precisamos de lidar com o impacto deste terceiro choque assimétrico em 15 anos, a nível interno e externo", escreveu Josep Borrell num artigo de opinião publicado esta segunda-feira.

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Dias depois de os líderes europeus terem concordado, na cimeira de Versalhes, no reforço da resiliência económica europeia, na redução das importações de energia da Rússia e no robustecimento da defesa europeia, o Alto Representante da UE para a Política Externa apontou que "a guerra contra a Ucrânia que Vladimir Putin iniciou já está a ter consequências económicas consideráveis na Rússia".

No entanto, "estamos também a assistir a efeitos significativos na Europa, com os preços da energia e de outros produtos a aumentar e, provavelmente, isso continuará a acontecer. Nós, dentro da UE, temos de aceitar pagar também um preço para parar esta guerra escandalosa e não provocada [pois] o futuro da nossa segurança e das nossas democracias depende disso", sublinhou Josep Borrell.

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E vincou: "O preço a pagar é o preço da liberdade".

Assinalando que "a guerra na Ucrânia é o terceiro choque assimétrico que a UE sofreu nas últimas duas décadas, após a crise financeira e económica de 2008 e a consequente crise da zona euro e a pandemia de covid-19", Josep Borrell adiantou que "a guerra na Ucrânia está de facto a ter um impacto muito maior nos países vizinhos devido ao afluxo de refugiados e à sua forte dependência do gás russo".

No que toca aos refugiados, o chefe da diplomacia europeia concluiu que "é esperado que o número [de pessoas deslocadas] aumente ainda mais nos próximos dias e semanas, enquanto Putin continuar a sua agressão", pelo que é necessário avançar com "a vasta renovação da política comum de asilo e migração para garantir mais solidariedade, num processo que começou em 2020 e que ainda não foi finalizado".

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O artigo de opinião sobre "a guerra na Ucrânia e as suas implicações para a UE" surge no dia em que Josep Borrell participa em visitas aos Balcãs Ocidentais para reafirmar o compromisso de Bruxelas para com esta região, numa altura em que a invasão russa da Ucrânia ameaça o continente europeu.

Falando esta manhã em Sofia, capital da Bulgária, o chefe da diplomacia europeia denunciou a "agressão bárbara" de Putin contra o povo da Ucrânia, confirmando sem precisar que um quarto conjunto de sanções contra Moscovo será adotado pela UE.

A Rússia lançou a 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, um ataque que foi condenado pela generalidade da comunidade internacional.

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Pelo menos 564 civis morreram e mais de 982 ficaram feridos, enquanto mais de 4,8 milhões de pessoas fugiram das suas casas, cerca de 2,8 milhões para o estrangeiro, segundo os mais recentes dados da ONU.

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