Empresas exportadoras caem para quase metade em apenas seis anos

Em 2012, Portugal tinha 8821 empresas a exportar para Angola. Em 2018 passaram a ser 4665.

21 de novembro de 2018 às 09:13
Dificuldades em repatriar capitais de Luanda desincentiva as empresas portuguesas Foto: Lusa
As filiais estrangeiras com atividade em Portugal empregavam, no ano passado, quase 448 mil trabalhadores Foto: Paulo Duarte
profissionais, trabalhadores Foto: Getty Images
Trabalhadores de empresas Foto: Getty Images

1/4

Partilhar

Em seis anos o número de empresas portuguesas exportadoras para Angola caiu para quase metade, passando de 8821 em 2012 para apenas 4665 este ano.

Documentos

Pub

Os números são publicados pelo AICEP e pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e ilustram as crescentes dificuldades que as empresas portuguesas têm tido no mercado angolano, sobretudo devido à dificuldade em repatriar capitais e às dívidas que o Estado angolano tem somado.

O dossiê das dívidas do setor público angolano a empresas portuguesas – sobretudo no setor da construção – foi abordado durante a visita de António Costa a Luanda, em meados de setembro, com o ministro das Finanças angolano, Archer Mangueira, a estimar em cerca de 90 milhões de euros o volume dos "[pagamentos] atrasados".

Pub

Portugal estima que a dívida não certificada de entidades públicas angolanas a empresas portuguesas se situe entre os 400 e 500 milhões. O tema deverá voltar à discussão durante a visita do presidente de Angola, João Lourenço, a Portugal, que amanhã se inicia.

Os dados mostram que Portugal exportou para Angola bens no valor de 1122 milhões de euros, até setembro, abaixo dos 1321 milhões registados no período homólogo, mostram dados preliminares do INE. No topo dos bens mais vendidos estão as máquinas, os produtos agrícolas, os produtos químicos e os produtos alimentares.

As importações daquele país totalizaram este ano, até ao 3º trimestre, 679 milhões, bem acima dos 165 milhões do período homólogo de 2017.

Pub

De acordo com a AICEP, Portugal é o segundo maior fornecedor de Angola, logo atrás da China, e o 8º principal cliente.

Há duas petrolíferas interessadas em ficar com a posição na Galp

A Sonangol tem uma dívida de 3,2 mil milhões de euros e tem em marcha um plano de reorganização que ditará a saída de vários negócios.

Pub

Angolanos da Quinta do Mocho admitem regressar

"A vida em Portugal para os angolanos não está assim grande coisa. Nós queremos regressar, mas tem de haver trabalho para a gente. Tem de haver condições." Domingos Piedade de 54 anos está em Portugal há 25 e elogia João Lourenço. "O novo Presidente quer mudar o rótulo que Angola nos últimos trinta e tal anos acarretou, e é muito bom.

PORMENORES 

Pub

"Retoma de cumplicidade"

Carlos César, presidente do PS, elogia a reorientação política em curso em Angola e considera que a visita a Portugal de João Lourenço assinala uma "retoma de cumplicidade".

"Grande otimismo"

Pub

O PSD olha "com grande otimismo" para o futuro das relações entre Portugal e Angola e considera que a visita de João Lourenço traduzirá a "importância estrutural" desta cooperação.

"Expectativa boa"

O CDS tem uma "expectativa boa" para a "visita de certa forma histórica" do presidente de Angola a Portugal .

Pub

Aprofundar relações

O PCP deseja que a visita contribua para "o aprofundamento das relações" e o Bloco de Esquerda reconhece mudanças na democracia do país.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar