Falta de matadouro sufoca produtores de ovelhas do Algarve
Falta de infraestruturas da região está a ser nociva para o comércio da ovelha algarvia.
Joaquim Nunes, de 51 anos, é produtor de ovelhas algarvias há décadas, no interior do concelho de Faro, mas nunca passou por uma situação tão má como a atual e que afeta dezenas de outros pequenos produtores, de Barlavento a Sotavento.
A falta de um matadouro e de mercados de gado na região tem sido trágico para este setor, cujas únicas alternativas para vender o gado não compensam financeiramente.
"Há duas opções: as empresas do Norte vêm cá comprar os borregos ou então temos de ir ao matadouro de Beja, que fica a 150 quilómetros. O problema é que o custo com os transportes, seja deles ou nosso, baixa drasticamente o preço do animal", explica Joaquim Nunes, lembrando que cada borrego, que em situações normais seria vendido por cerca de 60 euros, é vendido por valores a rondar os 35 euros, o que "não compensa financeiramente".
Por causa da falta de infraestruturas na região o negócio está "praticamente parado" e este produtor não vende qualquer animal desde a altura do natal de 2017.
"As pessoas novas preferem nem arriscar em vir para esta profissão porque sabem que vão perder dinheiro. Mas também esta espécie de ovelha corre o risco de desaparecer pois o número de explorações deste tipo de gado está a diminuir cada vez mais", garante.
PORMENORES
Fecho em 2007
Desde 2007 que o Algarve não tem um matadouro regional, depois de uma operação da ASAE ter encerrado a unidade que existia em Loulé.
Reuniões
A ASCAL - Associação de Criadores de Gado do Algarve tem feito reuniões com várias entidades para tentar abrir um novo matadouro.
Moção
Em 2017, a AMAL - Associação de Municípios do Algarve aprovou uma moção para a construção deste equipamento "com urgência".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt