Momento atual é bom para renegociar condições do crédito à habitação, diz Deco

"Olhe para o contrato de crédito como olha para o contrato das telecomunicações". É este o conselho do economista da Deco Nuno Rico no que toca aos empréstimos para a casa. A fase atual é a ideal para renegociar e a maioria dos bancos aceita fazê-lo, sob pena de perder um cliente para a concorrência.

26 de janeiro de 2026 às 15:39
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O atual "momento de viragem de ciclo" nas taxas de juro - depois de um período de descidas - torna esta a altura ideal para renegociar as condições do crédito à habitação. Quem o diz é Nuno Rico, economista da Deco, que aconselha os mutuários a encararem os contratos com os bancos como encaram os contratos com as operadoras de telecomunicações - ou seja, sempre passíveis de serem revisitados, em busca de uma redução no preço. "É uma altura indicada para olhar para as condições que tem no contrato e eventualmente ponderar, para não ser apanhado desprevenido numa subida futura, para uma solução de taxa mista ou taxa fixa", diz em entrevista ao programa do Negócios no canal NOW.

Nuno Rico explica que o momento de incerteza gerou ofertas competitivas por parte dos bancos, que devem ser aproveitadas. No passado, aponta, quando as taxas começaram a subir e muitos quiseram fixar as prestações, foram confrontados com valores já muito elevados. Agora, há mais opções de escolha. "Poderemos estar aqui numa inversão de ciclo, mas até poderemos regressar às descidas no curto espaço de tempo (...) Temos atualmente não só ofertas muito competitivas de taxa mista de curto prazo, temos taxas mistas que estão a ser oferecidas no período inicial abaixo, por exemplo, da média de Euribor ou próximo da média de Euribor, e comparando com a taxa variável em que temos que somar o 'spread', acabam por se tornar mais competitivas", relata.

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Apesar de melhores condições em todas as taxas, a Deco não aconselha, neste momento, a fixar a taxa por mais de dois anos. No entanto, tudo depende, explica, da capacidade de cada um para gerir a incerteza. "Há consumidores que não conseguem lidar com a instabilidade e preferem optar por uma taxa fixa e estar descansados sabendo aquilo que vão pagar o resto do contrato", aponta.

Seja qual for a opção, o importante é negociar, até porque "a nossa experiência diz-nos que em 90% dos casos os bancos acabam por aceitar renegociar as condições, em vez de deixarem o cliente fugir para outro concorrente". Dessa forma, diz, é possível "tentar ir baixando o custo que tem do seu contrato, ao minimizar as subidas, é um momento bom para isso". 

"Olhe para o seu contrato de crédito como olha, por exemplo, para o contrato das telecomunicações. Temos a tendência hoje em dia de olhar para o contrato e quase todos os anos verificar, ou quando recebemos uma alteração de preço, olhar para a concorrência, tentar negociar e melhorar essas condições. Devemos começar a olhar também para isso no contrato de crédito", apela.

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