Oi pagou 842 mil euros a Zeinal Bava
Autoridades solicitaram novos elementos bancários a várias instituições financeiras.
Apenas dois meses depois de ter assumido a presidência da Oi, que acumulou com a liderança da PT, Zeinal Bava recebeu da empresa brasileira, em agosto de 2013, 842 348 euros.
Este é um dos pagamentos que o Ministério Público quer esclarecer e que levaram os magistrados a pedir novos elementos bancários a várias instituições financeiras. Segundo apurou o CM, as autoridades solicitaram extratos bancários de contas desde 2007 até à atualidade ao BPI, à CGD e ainda ao BBV.
Em causa estão documentos bancários recebidos com referência a pagamentos para a esfera de ex-administradores da PT com origem em sociedades offshore ligadas ao Grupo Espírito Santo (GES), mas também novas operações relativamente às quais são pedidos novos elementos. Foram também requeridos novos dados ao BPI e ao Banco de Portugal sobre Henrique Granadeiro, outro dos ex-administradores da PT, arguido por suspeitas de ter recebido milhões de euros do GES.
De acordo com os primeiros elementos bancários recebidos pela investigação da operação Marquês referentes a Zeinal Bava, depois de ter recebido mais de 842 mil euros a 28 de agosto de 2013, numa conta do BBV, o então presidente da Oi fez sair desta mesma conta mais de 333 mil euros, logo a 5 de setembro deste ano.
O CM tentou contactar Zeinal Bava, mas não obteve qualquer resposta até à hora de fecho desta edição.
Bava e Granadeiro terão recebido quase 50 milhões de euros
Em causa estão contrapartidas pelo favorecimento dos interesses do BES nos negócios da PT.
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PORMENORES
29 arguidos
O processo Marquês conta atualmente com 29 arguidos: 20 arguidos singulares e nove empresas. O último a entrar no processo foi José Paulo Pinto de Sousa, primo do ex-primeiro-ministro José Sócrates, principal arguido, que foi detido em novembro de 2014.
Megaprocesso
Nove milhões de ficheiros informáticos, mais de três mil documentos em papel, 300 apensos bancários e 2600 escutas integram, entre outros elementos, os mais de 90 volumes do megaprocesso, que teve início em julho de 2013.
Ex-governante ouvido como testemunha
Segundo contou o ex-governante, teve depois uma reunião com Santos Silva, um dos irmãos Barroca e Joaquim Paulo Conceição e foi convidado para colaborar em projetos de avaliação de risco económico. Acabou por celebrar um contrato de apoio na área jurídico-financeira, renovado em 2014, mas este último acabou por não ser cumprido integralmente.
Quanto a José Sócrates, disse que desde 2011 não tem qualquer contacto.
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