Presidente do Eurogrupo avisa que zona euro deve preparar-se para "longa instabilidade"

Eurogrupo reuniu-se pela primeira vez desde o início da guerra no Médio Oriente e analisou os impactos económicos do conflito, ao nível energético e inflacionista.

09 de março de 2026 às 19:52
Kyriakos Pierrakakis, presidente do Eurogrupo Foto: Olivier Hoslet/AP
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O presidente do Eurogrupo alertou esta segunda-feira que a zona euro se deve "preparar para longa instabilidade", que pode afetar cadeias de abastecimento e pressionar os preços da energia e a inflação, pelo conflito no Médio Oriente.

"A economia europeia tem capacidade e resiliência para absorver choques temporários, mas, ao mesmo tempo, devemos estar preparados para um período mais prolongado de instabilidade, com possíveis perturbações no transporte marítimo, aumentos nos preços da energia e implicações para a inflação", disse Kyriakos Pierrakakis, em conferência de imprensa após a reunião dos ministros das Finanças da zona euro, em Bruxelas.

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O Eurogrupo -- reunido esta segunda-feira pela primeira vez em Bruxelas desde o início da guerra iniciada por Israel e por Estados Unidos contra o Irão e marcada pela resposta iraniana -- analisou os impactos económicos do conflito, ao nível energético e inflacionista.

No final do encontro, o presidente do fórum informal dos ministros garantiu aos jornalistas que o organismo está "a acompanhar de perto as reações dos mercados aos desenvolvimentos no Médio Oriente, que dominam atualmente as manchetes internacionais".

"O ano de 2025 foi positivo para a economia europeia, com um crescimento superior ao esperado, apoiado pela estabilização da procura interna, mercados de trabalho robustos e condições de financiamento favoráveis. Hoje, contudo, encontramo-nos num ambiente bastante diferente", reconheceu Kyriakos Pierrakakis.

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Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.

Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia - especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial - tende a gerar choques nos mercados energéticos internacionais e a elevar os preços.

"A energia está no centro da nossa atenção, [pois] a instabilidade no Médio Oriente e os acontecimentos globais lembram-nos de quão vulneráveis são os mercados energéticos e de como as nossas economias podem continuar expostas a choques externos", observou o presidente do Eurogrupo.

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Numa altura em que países como Portugal avançam com apoios na energia (como o desconto no ISP do gasóleo) e outros países o consideram (como Espanha), Kyriakos Pierrakakis adiantou que o Eurogrupo está "atento à pressão de subida nos preços da energia e debateu os tipos de medidas que os Estados-membros estão a considerar, bem como a necessidade de manter uma ação coordenada enquanto se monitoriza a situação no terreno".

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.

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