Privados e ADSE em guerra na saúde
Comparticipações em atos de Cardiologia, Ginecologia e Urologia não cobrem despesas.
Os prestadores de serviços de saúde privados alegam que vão ter prejuízo em vários procedimentos se a nova tabela de comparticipações da ADSE for aprovada, e prometem fazer frente à intenção do Governo. Nas contas dos hospitais, a que o CM teve acesso, há atos médicos em que o prejuízo chega a ultrapassar os 110 euros.
Cardiologia, Ginecologia, Urologia e Gastrenterologia são as áreas em que os privados consideram que os valores que a ADSE está disposta a pagar são mais injustos. Na tabela (ver infografia) os prestadores comparam o valor da comparticipação pago pelo subsistema de saúde dos funcionários públicos com os custos que têm de suportar com determinados procedimentos médicos. Há áreas em que o montante que resulta desse balanço fica abaixo daquilo que os privados consideram admissível para remunerar a equipa médica.
Os privados consideram os valores incomportáveis e prometem bater o pé. O caso mais gritante verifica-se na especialidade de Cardiologia em que, numa intervenção de desentupimento de uma artéria que irriga o coração (cateterismo esquerdo com coronariografia), o hospital tem um custo entre 150 e 200 euros. Por essa mesma intervenção médica, o valor pago pela ADSE aos prestadores privados fixa-se nos 89,06 euros. Assim, os hospitais alegam que vão ficar a perder dinheiro, neste caso, entre 60,9 e 110,94 euros por procedimento.
Esta segunda-feira o Conselho Geral e de Supervisão da ADSE vai reunir-se. Ao que o CM apurou, a nova tabela de comparticipações está suspensa, o que implica um adiamento da entrada em vigor, prevista para 1 de março.
SAIBA MAIS
1963é o ano da criação da ADSE: Assistência na Doença aos Servidores Civis do Estado. A sigla manteve-se mas hoje o subsistema de Saúde designa-se Instituto de Proteção e Assistência na Doença.
1,2 milhões de utentesA ADSE tem hoje cerca de 1,2 milhões de beneficiários. Os funcionários públicos e pensionistas que trabalharam para o Estado têm de descontar 3,5% do ordenado para ter direito ao subsistema de saúde.
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