Subida da riqueza já dá para os juros

Taxa de crescimento do Produto Interno Bruto anula preço pago pela dívida.

15 de agosto de 2017 às 01:30
Costa e Centeno dizem que a recuperação da economia vai continuar Foto: Mário Cruz / Lusa
O primeiro-ministro, António Costa Foto: Getty Images
António Costa, primeiro-ministro Foto: Lusa
Mário Centeno Foto: LUSA
Mário Centeno Foto: Mário Cruz / Lusa

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A economia portuguesa cresceu 2,8% no segundo trimestre de 2017 face ao mesmo período de 2016. Se tomarmos o valor do Produto Interno Bruto (PIB) no final do ano passado (cerca de 185 mil milhões de euros), são mais 5,1 mil milhões de euros que servirão para aliviar a carga dos juros da dívida pública.

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O governo de António Costa pode aproveitar um ciclo virtuoso, onde a taxa de crescimento do PIB 2,8% consegue anular a taxa de juro cobrada pela dívida emitida a 10 anos, que ontem atingiu precisamente os 2,804%.

No entanto, e segundo os dados da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) o conjunto da dívida acumulada no final de 2016 tinha uma taxa de juro implícita de 3,2%, que é precisamente o valor que o governo inscreveu no Plano de Estabilidade entregue em Bruxelas para o crescimento nominal do PIB (riqueza medida a preços correntes).

Se isto ocorrer, ou registarmos um crescimento do PIB real (descontando a inflação) acima dos 3,2%, o peso dos juros da dívida pública fica totalmente compensado.

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No entanto, existem alguns sinais preocupantes. A velocidade com que a economia estava a crescer abrandou, assim como caíram as exportações, que foram compensadas pela subida da procura interna. As pessoas estão a gastar mais, ajudadas pelo crédito barato, um padrão de crescimento que nos levou ao resgate financeiro.

Para António Costa "com boas políticas tem-se bons resultados", disse ontem em Sesimbra.

Costa acredita num recorde desde a adesão ao Euro

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António Costa revelou ontem uma certeza; "Estes dois trimestres consecutivos a crescer 2,8% significam que seguramente este ano vai ser o ano de maior crescimento da economia portuguesa desde o princípio do século, desde que aderimos ao Euro (janeiro de 2002)". Para já, tem que bater os resultados conseguidos por Guterres, Santana e José Sócrates.

Existem mais 8365 funcionários públicos 

A administração pública emprega atualmente cerca de 12,8% do total da população ativa portuguesa.

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O relatório da DGAEP mostra ainda que a remuneração base média mensal era, em abril, de 1461 euros, tendo registado um ligeiro aumento (0,3%) em relação a janeiro, e uma subida de 2% face a junho de 2016, em consequência da eliminação dos cortes para salários acima dos 1500 euros.

Seis em cada 10 funcionários públicos são mulheres e 76,2% do total dos trabalhadores do Estado encontra-se na administração central, enquanto 16,7% está na administração local e 5,6% trabalha na administração regional autónoma.

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