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Lucros da Caixa Geral de Depósitos sobem para 776 milhões em 2019

Valor que representa uma subida de 57% face ao ano anterior.

31 de janeiro de 2020 às 17:23
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Lucros da Caixa Geral de Depósitos sobem para 776 milhões em 2019

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) apresentou um resultado líquido de 776 milhões de euros em 2019, um valor que representa uma subida de 57% face ao ano anterior.

Os resultados foram apresentados, esta sexta-feira pelo presidente executivo do banco público, Paulo Macedo.

Foi também anunciado uma perspetiva de pagamento de dividendos ao Estado. No entanto, este pagamento não será total, uma vez que se regista um reforço do fundo de pensões em 301 milhões de euros.

De acordo com um comunicado, a CGD teve um resultado corrente 632 milhões de euros, sem a venda dos bancos de Espanha e da África do Sul.

Em termos de rentabilidade, o banco atingiu um rácio ROE 'return on equity' de 8,1%, destacou o presidente do banco, Paulo Macedo.

Para a CGD, são os maiores lucros desde 2007, ano em que o banco apresentou um resultado líquido positivo de 856,3 milhões de euros.

"Conseguimos ter contas que permitem continuar a devolver dinheiro aos contribuintes portugueses e a gerar valor e, por outro lado, também conseguimos ter contas que vão ao encontro dos compromissos que o Estado português assumiu", salientou Paulo Macedo em conferência de imprensa na sede do banco, em Lisboa.

O presidente executivo do banco público destacou ainda os resultados internacionais, que "têm tido uma 'performance' consistente, em geografias difíceis, com um desafio muito grande em termos de crescimento da economia, de risco, de melhoria de práticas".

O gestor falou ainda do "crescimento do resultado 'core' [principal], mesmo com a margem financeira a decrescer, como é normal e todos sabem".

"O resultado 'core' sobe, e o que nós temos é uma margem financeira que desce, um valor de comissões que sobe, um produto bancário, no seu todo, que é, nestas duas componentes, menor, mas que é compensado com a redução de custos que a Caixa fez", destacou Paulo Macedo.

O presidente do banco disse que o corte de custos é "um trabalho extremamente exigente" e "indispensável".

"Nunca os contribuintes portugueses nos desculpariam se nós só estivéssemos a fazer outras coisas que não fossem procurar uma melhor eficiência e, obviamente, um contributo maior para os nossos serviços não serem tão onerosos", considerou.

Paulo Macedo salientou ainda "uma melhor eficiência que está espelhada, porque com menos recursos" o banco público está a "gerar mais negócio" e "com um melhor serviço".

Em termos de atividade internacional, as entidades da Caixa no estrangeiro contribuíram com 183 milhões de euros para o resultado líquido de 776 milhões de euros em 2019, com destaque para o BNU de Macau (69 milhões de euros), o BCI de Moçambique (34 milhões de euros), a sucursal de França (20 milhões de euros) e o Banco Caixa Geral de Angola (20 milhões de euros).

No quarto trimestre de 2019, os resultados da CGD atingiram os 150 milhões de euros, um aumento de 19% face aos 126 registados no mesmo período de 2018.

Em 2019, a exploração 'core' do banco atingiu os 751 milhões de euros, um aumento de 1% face aos 744 milhões registados em 2018.

Já a margem financeira desceu 7,1% em Portugal e 4,3% em todo o grupo CGD entre dezembro de 2018 e dezembro de 2019, de acordo com os dados do banco hoje divulgados.

A receita com comissões cresceu 4,6% entre 2018 e 2019, passando de 480 milhões de euros em 2018 para os 502 milhões em 2019.

Em Portugal, o aumento das comissões foi de 5,3%, "suportado na colocação de seguros e fundos de investimento", de acordo com o banco, sendo que a rubrica passou de 393 milhões de euros em 2018 para 414 em 2019.

Sobre as comissões, Paulo Macedo questionou "o que aconteceria aos trabalhadores" do banco caso não subissem e reiterou que a comissão executiva não está a "prever nenhum aumento de comissões" em 2020.

Já os custos de estrutura do banco desceram 2%, passando de 984 milhões de euros em 2018 para 965 milhões em 2019, sendo que desses, 48 milhões de 2018 e 51 milhões em 2019 são não recorrentes.

Os custos com pessoal passaram de 610 milhões de euros em 2018 para 583 milhões em 2019, uma descida de 6%.

A atividade corrente da Caixa teve também um reforço das provisões em 27 milhões de euros em 2019.

Quanto a prémios pagos aos administradores em 2020, relativos aos resultados de 2019, o presidente da Caixa afirmou que espera que sejam pagos e que se o forem serão "de acordo com o plano estratégico" do banco.

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