Vítor Catarino, presidente da construtora Ramos Catarino, a única empresa do sector com certificação integrada de qualidade, ambiente e segurança.
Correio da Manhã - Quais as vantagens da certificação integrada de qualidade, ambiente e segurança?
Vítor Catarino - Não faz sentido ter um sistema de gestão de qualidade com problemas de ambiente e segurança, porque a certificação de qualidade obriga a abordar aspectos relacionados com o ambiente e a segurança. Além disso, em termos de optimização de recursos também é preferível uma gestão integrada e a diferença no esforço não é assim tão grande. É possível.
- Acredita que outras empresas de construção civil sigam este exemplo?
- Acredito que sim, porque isto é um pouco como o Ovo de Colombo, mas a empresa tem de estar 'madura' para poder adoptar os referenciais normativos internacionais.
- Quer dizer que a certificação não trouxe alterações significativas?
- Ao nível do fazer com qualidade e em segurança nada se alterou. Ao nível do ambiente sim, houve uma diferença notória, designadamente na separação dos lixos e dos produtos sobrantes das obras. Além disso, este sistema deu-me, como administrador da empresa, um programa de gestão simplificada, um painel de bordo, com indicadores e objectivos quantitativos para todas as áreas de funcionamento da empresa.
- Como interpreta a elevada sinistralidade na construção civil?
- A segurança dos trabalhadores tem sido sempre para nós um objectivo máximo, costumamos dizer que nenhum objectivo de negócio é mais importante e isso muita gente diz. Só que, na verdade pouca gente faz e não entendo porque não há mais cuidados, já que um acidente desmoraliza toda a equipa, destrona a motivação das pessoas e tudo o que se puder fazer para evitar situações desse tipo são actos de bom senso.
- A segurança dos trabalhadores sai cara às empresas?
- Na segurança não há orçamento, ou seja, tudo o que for necessário para eliminar um risco, evitar um acidente, nós fazemos. É uma questão de cidadania. Nunca haverá obras sem risco, mas se todos os sistemas de segurança estiverem accionados, o grau de risco é muito inferior e a empresa não precisa de ser certificada em segurança para ter grandes cuidados nesta área.
- O sector da construção civil está também a sofrer a recessão que atinge o País. Que efeitos estão a sentir-se nesta empresa?
- O nosso crescimento mantém-se desde há uma década. Em 2002 obtivemos um volume de facturação de 30 milhões de euros, o que representou um crescimento de 35 por cento em relação ao ano anterior. De 1990 para 2000 a empresa aumentou a facturação anual de 1,2 para 20,7 milhões de euros, ou seja, cresceu 16 vezes em dez anos, obtendo um crescimento médio de 164 por cento ao ano.
- Qual é a área em que estão melhor preparados?
- Somos hoje uma das maiores empresas de construção de edifícios. Temos uma dimensão nacional e alicerçamos o nosso crescimento em clientes privados de grande grau de exigência.
A construtora Ramos Catarino, com sede em Febres, Cantanhede, foi criada em 1979 e está na génese do Grupo Catarino, que detém dez empresas nas áreas do mobiliário, madeiras, construção civil, decoração, turismo e lazer. A primeira empresa do grupo dedicava-se à serração de madeiras e foi fundada em 1949, também em Febres, por Manuel dos Santos. Sucedeu-lhe o filho, Manuel da Conceição dos Santos, que com a mulher, Maria Alginia Ramos Catarino, fundou outras empresas. Os dois filhos do casal, Vítor e Jorge Catarino, um licenciado em Engenharia Civil e o outro em Economia, seguiram as pisadas dos pais e a sua entrada para as empresas correspondeu a uma 'injecção' de ‘sangue novo’. O grupo emprega 200 pessoas no total.
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