FMI considera que Portugal tem pouca margem orçamental.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou esta sexta-feira que o aumento recente do salário mínimo nacional dos 485 para os 505 euros é "prematuro" e "pode penalizar os grupos vulneráveis que pretende apoiar".
No relatório sobre a primeira monitorização pós-programa, esta sexta-feira divulgado, o FMI argumenta que o aumento do salário mínimo em Portugal tem ido "persistentemente além dos ganhos de produtividade", considerando que isso vai "impedir a recuperação da competitividade".
O Fundo sublinha que os ganhos de produtividade (medidos pelo crescimento real da economia ajustado à população em idade ativa) permaneceram "virtualmente constantes" durante a última década, ao passo que o salário mínimo "aumentou 16% durante o mesmo período", o que significa um crescimento anual do salário mínimo superior ao aumento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,5% ao longo dos últimos dez anos.
"Pouca margem"
O FMI considera que Portugal tem "pouca margem" em termos orçamentais e que, sem mais medidas de consolidação tanto em 2015 como nos próximos anos, "espera-se que o défice projetado difira dos compromissos assumidos" pelo Governo.
No relatório sobre a primeira avaliação pós-programa, esta sexta-feira apresentado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que "Portugal tem pouca margem para divergir dos seus compromissos orçamentais, que têm de ser sustentados no médio prazo".
O Fundo alerta que, "na ausência de esforços de consolidação orçamental adicionais em 2015 e no médio prazo, o défice projetado deverá diferir dos compromissos orçamentais assumidos" pelo Governo, o que "põe em risco a credibilidade arduamente conseguida durante o programa".
Recuperação abranda
A recuperação económica de Portugal abrandou nos últimos seis meses, considerando o FMI que o crescimento do país está a ser prejudicado por uma agenda de reformas que ficou por acabar.
O Fundo afirma que as perspetivas de crescimento económico no curto prazo "são menos fortes" e que o ritmo de recuperação "abrandou".
Além disso, sublinha o FMI, "o momento das reformas e do ajustamento orçamental parece ter enfraquecido nos últimos seis meses" e, apesar das medidas que foram tomadas durante o Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), a "agenda [de reformas] por acabar é substancial".
Entre as reformas que ficaram por fazer desde a conclusão do programa está a do mercado de trabalho, a das rendas dos setores não transacionáveis, como o da eletricidade, com impactos no emprego e na competitividade e, consequentemente, no crescimento económico nacional, afirma a instituição.
Por isso, adverte o FMI, "se o ímpeto reformista começar a mostrar sinais de uma pausa prolongada", será "inevitável" que as perspetivas de crescimento no médio prazo sejam revistas em baixa.
Ora, o Governo antecipa que a economia portuguesa cresça 1,5% este ano e 1,7% no próximo (segundo o Orçamento do Estado e o Documento de Estratégia Orçamental, respetivamente), contra as perspetivas menos otimistas do FMI, que prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,2% e 1,3% em 2015 e 2016.
"Esforços adicionais"
O FMI considera que são precisos "esforços adicionais" para garantir a sustentabilidade do sistema de pensões, recomendando que, "até que estes esforços de consolidação estrutural estejam concluídos", Portugal deve "adiar" a reversão total dos cortes aos salários e pensões.
No relatório sobre a primeira avaliação pós-programa, esta sexta-feira apresentado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomenda ao Governo que, "até que os esforços de consolidação estrutural estejam concluídos, as autoridades devem considerar adiar, na medida do possível, a reversão total das medidas temporárias relacionadas com os salários dos funcionários públicos e o pagamento de pensões".
Eleições dificultam consensos
As eleições legislativas deste ano vão dificultar os consensos em torno de reformas necessárias, criticando os "sinais já visíveis de período pré-eleitoral" e antecipando "a tentação de optar por políticas populistas", alerta o FMI.
No relatório sobre a primeira monitorização pós-programa hoje divulgado, o FMI elogia a "recuperação da credibilidade política" e o regresso aos mercados, mas alerta que esta melhoria de condições abre "uma estreita janela de oportunidade para continuar as reformas" estruturais.
"Com o aproximar das eleições legislativas, criar consensos em torno destas medidas vai ser desafiante", afirma instituição liderada por Christine Lagarde.
O Fundo alerta que, "na ausência de um impulso renovado das reformas", os progressos orçamentais "deverão divergir significativamente" dos objetivos traçados para o médio prazo.
Venda do Novo Banco pode ser insuficiente
O FMI admite que o valor de venda do Novo Banco pode ser insuficiente para reembolsar os empréstimos concedidos ao Fundo de Resolução, o que pode contagiar os bancos portugueses através da alocação de eventuais perdas.
No relatório sobre a primeira monitorização pós-programa de ajustamento português, esta sexta-feira divulgado, a instituição liderada por Christine Lagarde adverte que, se o valor de venda do Novo Banco "for insuficiente para reembolsar os empréstimos concedidos ao Fundo de Resolução", pode "contagiar os bancos portugueses, através da alocação de eventuais perdas".
Nesse sentido, e "para reduzir a incerteza nos mercados", o FMI defende que as autoridades portuguesas "devem clarificar, o mais cedo possível, as modalidades da alocação das perdas".
Dívida pública "severamente comprometida" em cenário de deflação
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou esta sexta-feira que a dinâmica da dívida pública portuguesa ficaria "severamente comprometida" num cenário de deflação, o que levaria o rácio para mais de 145% do PIB no médio prazo.
No relatório sobre a primeira monitorização pós-programa, esta sexta-feira divulgado, o FMI afirma que o nível da dívida e as necessidades de financiamento do Estado "continuam a colocar riscos significativos à sustentabilidade da dívida" e realiza uma série de "testes de 'stress'" em que calcula o impacto de choques negativos no rácio da dívida sobre o Produto Interno Bruto (PIB). Uma das hipóteses testadas pelo Fundo é um cenário de deflação: o FMI estima que, se a inflação for de -1% este ano e de -0,7% em 2016, recuperando gradualmente e passando para terreno positivo entre 2017 e 2019, isso levaria a dívida pública para "perto dos 145% do PIB", nível onde permaneceria pelo menos até 2019, o último ano do horizonte das previsões.
PSD diz que FMI foi "desmentido pelos factos" e revela "maus fígados"
O PSD defendeu esta sexta-feira que o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) está "desatualizado" e "desmentido pelos factos" e considerou que revela os "maus fígados" da instituição relativamente ao aumento do salário mínimo.
"Este relatório está completamente desatualizado e desmentido pelos factos e pela realidade. Em primeiro lugar porque foi preparado em novembro e o relatório tinha já dúvidas se em 2014 as metas eram ou não alcançadas. Hoje os factos são inequívocos, as metas em 2014 não só foram alcançadas como foram superadas pela positiva", afirmou o deputado Duarte Pacheco.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.