Esteve praticamente extinto das águas algarvias durante décadas, foi regressando aos poucos e agora começa a fixar-se, ainda que timidamente, na região. É o regresso do atum-rabilho ao Algarve.<br/><br/>
"Em 1974 apanhámos apenas um atum no Algarve, quando houve anos em que eram mil por ano". Quem conta é Miguel Socorro, administrador da Companhia de Pescarias do Algarve, uma das maiores empresas da pesca do atum-rabilho que foi obrigada a desviar-se para outros sectores da pesca, devido ao cada vez mais escasso atum na costa do Algarve.
A empresa, formada em 1835, viveu tempos prósperos até à década de 70, onde chegou a ter quatro armações de pesca do atum (em 17 totais na costa algarvia). "Vendemos o arraial Ferreira Neto, em Tavira, onde moravam os pescadores [agora é o Hotel Albacora], continuámos com os barcos de pesca de sardinha e comprámos um barco de arrasto de marisco", realça Miguel Socorro.
Apenas se especulam as razões da inesperada escassez do atum-rabilho, que vão desde mudanças para águas mais ao largo da costa, por onde passavam no ciclo migratório, a reflexos da industrialização na Andaluzia, que matou o pescado do qual o atum se alimenta ou mesmo a falta de fiscalização, que permitia a pesca excessiva.
Só em meados da década de 90 é que começou a renascer a pesca do atum no Algarve. A empresa lisboeta Tunipex (que agora tem capitais japoneses) estabeleceu-se em Olhão com uma armação de atum, a única em Portugal. Até agora. A Companhia de Pescarias do Algarve vai retomar a pesca do atum e já tem aprovados projectos para duas armações, que a partir deste Verão vão ficar fixadas na costa de Faro e Olhão.
"Há cada vez mais consumidores deste tipo de atum na Europa, Brasil e Estados Unidos", explica Miguel Socorro, lembrando que o atum--rabilho, devido ao elevado preço (em Portugal vende-se a cerca de 15 euros o quilo, mas nos mercados estrangeiros chegam a custar 100 euros o quilo), vai na sua maioria para o Japão, onde é transformado em sushi ou sashimi. Mas o mercado de atum no Algarve não se resume à pesca e à tentativa em regressar aos tempos áureos. Também as conserveiras sofreram um grande revés. Em Vila Real de Santo António, apenas a Conserveira Dâmaso se dedica à conserva de atum (um tipo mais barato e importado) que chega congelado e é transformado de várias formas.
"A muxama de atum está a ser cada vez mais procurada e as pessoas têm consumido também outras iguarias conservadas", diz o proprietário Dâmaso Nascimento.
DISCURSO DIRECTO
DÂMASO NASCIMENTO, CONFRARIA DO ATUM: "PRATO PASSA AO LADO DOS PORTUGUESES"
CM – O atum é um peixe muito procurado?
Dâmaso Nascimento – É popular, mas é um prato que passa muito ao lado dos portugueses porque é muito caro para os nossos bolsos. Em Portugal vai dos 8 aos 15 euros.
– O comércio do atum esteve um bocado desaparecido do Algarve. Voltou em força?
– A pesca vai voltando, mas as conserveiras nunca vão recuperar. Em Vila Real de Santo António chegou a haver 40 fábricas de conservas de vários peixes, agora só há uma, e de atum. No resto do Algarve também está idêntico. Em Olhão só há uma conserveira de atum.
– Porque se devia comer atum?
– Porque é rico em ómega 3, tem muito fósforo e uma série de coisas que fazem bem à saúde, é bem melhor que a carne.
"ANO DE 2010 FOI ANORMAL"
Segundo a Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura, o ano de 2010 revelou-se anormal em termos de abundância de atum-rabilho no Sul de Portugal, "tendo-se mesmo verificado que num só dia do mês de Julho entraram na armação mais atuns (25 toneladas) do que a totalidade das capturas nalguns dos anos anteriores". A média entre 2006 e 2009, foi de 21 toneladas.
CONSERVEIRA NASCE CONTRA A CORRENTE
A Conserveira Dâmaso nasceu em 2005 e ainda não parou de crescer. Este ano, já teve receitas de 500 mil euros.
A fábrica, sediada em Vila Real de Santo António, nasceu quando não existia qualquer conserveira na terra, que chegou a ser muito próspera neste sector até à década de 70. Na Conserveira Dâmaso, chegam a ser tratados 10 atuns por dia, que, na sua maioria, são transformados em diversas iguarias através de um processo de salga. É feita estupeta, muxama, ovas, chouriço e são vendidos bifes. O atum usado, o sangacho, é muito mais barato do que o pescado na costa algarvia e vem congelado. O produto final é vendido para todo o território nacional.
CONFRARIA NASCE PARA PROMOVER
Nascida a 27 de Outubro de 2008 em Vila Real de Santo António, a Confraria do Atum tem como principal objectivo promover o atum como produto típico vila-realense e seus pratos derivados tal como a gastronomia local. Atum com feijão branco, mormos de atum no forno, bifes de atum em cebolada, tarantelo, estupeta e orelha de atum são alguns dos pratos mais conhecidos.
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