Desconfiança e contestação em torno ao sistema bancário e financeiro estão a mobilizar formas alternativas de banca e de ativismo financeiro, com campanhas que incluem retirar dinheiro dos bancos tradicionais e uma aposta na sustentabilidade.<br/>
Especialistas ouvidos pela agência Lusa indicam que a crise levou muitos consumidores a procurarem modelos de banca que favorecem projetos socialmente mais conscientes, mais transparentes sobre as iniciativas em que investem e que são mais sustentáveis a longo prazo.
Uma tendência evidente em projetos como os bancos Triodos ou Cooperative Bank - que registam taxas elevadas de crescimento, em termos de clientes e de recursos geridos - ou em campanhas como "move your money" (move o teu dinheiro) que insta consumidores a escolherem melhor com que banco trabalhar.
Em Barcelona, à margem da conferência Doing Good Doing Well, organizada pela escola de negócios IESE, especialistas mostram-se, no entanto, divididos sobre o verdadeiro impacto do movimento que ainda é minoritário.
Reconhecem que, dada a sua importância e influência no atual sistema económico, a banca tradicional permanecerá prevalente, pelo menos a médio prazo, mas destacam a crescente preocupação de consumidores em "escolher a sua banca".
"Há formas alternativas de fazer banca. Devemos olhar para esses bancos, que são pequenos, que estão nesta crise financeira a registar crescimentos, têm rácios de solvabilidade de 12% ou 13%, tem lucros e os clientes estão a crescer. Bancos que estão a emprestar dinheiro à economia real", disse à Lusa a economista Sofia Santos, diretora de Sustentabilidade na GCI Portugal e responsável do Sustainability Knowledge Lab no ISCTE.
"Temos que saber que existem alternativas ao sistema atual. Que há bancos que cumprem todas as regras dos outros bancos, mas que, ao mesmo tempo, têm uma forma diferente, um conjunto de valores morais, associados à forma como o dinheiro flui na economia", insiste.
E há quem pense da mesma forma e esteja a ganhar dinheiro com isso.
O Triodos, um banco com origem na Holanda em 1980 e que teve na sua base uma fundação, é um dos exemplos dos modelos 'alternativos' de banca, promovendo-se como um banco sustentável - especializado em oferecer oportunidades de investimento e de empréstimos para o setor da sustentabilidade em vários países.
"Apenas emprestamos ou investimos em organizações que beneficiam as pessoas ou o ambiente", refere o lema da organização que na primeira metade do ano passado registou um aumento de 9% em empréstimos e adicionou 40 mil clientes à sua base, para 395 mil.
Os lucros da Triodos cresceram 31% (para 9,9 milhões) e os fundos geridos aumentaram 8% para 7,3 mil milhões na primeira metade de 2012.
"Vivemos numa altura de incerteza e oportunidade. Apesar de um agravamento da crise económica em algumas partes do mundo, há uma oportunidade sem precedentes para reinventar sistemas que estão a falhar e para construir um movimento de iniciativas sustentáveis", argumenta Peter Blom, presidente executivo da instituição.
Os responsáveis do Cooperative Banking Group, do Reino Unido, também pensam da mesma forma, considerando que "uma organização que atua empresarialmente de uma forma social e ambientalmente responsável também pode ser lucrativa".
Projetos a que se somam a campanha "move your money", do Reino Unido, ou a organização Bank Track, com sede na Holanda, mas ação em todo o mundo e que denuncia projetos apoiados pela grande banca que considera não serem socialmente responsáveis.
Mas há quem defenda que não se deve penalizar excessivamente a banca tradicional ou, pelo menos, se deve reconhecer que "há bancos e bancos, e várias formas de fazer banca" como disse à Lusa Olga Durich, que lidera a unidade de Responsabilidade Corporativa no catalão CaixaBank, entidade que controla mais de 40% do BPI.
"Obviamente que, como qualquer grande organização, a La Caixa pode ter errado em algumas ocasiões, mas demonstrou que a sua atuação foi bastante responsável, em termos gerais. Tanto na sua ação bancária como na forma como faz as coisas", disse.
"Cada um tem que olhar para o seu funcionamento interno. Nós também fizemos isso, mudámos processos internos e isso é o que devem fazer todos. Avaliar se houve falhanços ou erros em alguma coisa, reconhece-lo e procurar remediar a situação", disse.
E ao mesmo tempo, recorda, a dimensão do La Caixa permite manter, nos últimos cinco anos, o amplo programa de Obra Social - com um orçamento anual de 500 milhões de euros, avaliado permanentemente e agora cada vez centrado em responder aos problemas mais prementes.
"O que se tem feito é reconduzir os programas para as zonas onde há mais necessidades. Nos últimos cinco anos houve uma clara mudança de prioridades. Está a dar-se grande prioridade aos programas sociais e estamos, em cada momento, a procurar responder aos problemas mais prementes", referiu.
"Um exemplo disto é o nosso programa de procurar fornecer habitação acessível a famílias com grandes dificuldades financeiras. Temos um pacote habitacional que alugamos a famílias em maiores dificuldades por rendas mensais de entre 50 e 130 euros", recordou.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.