Paulo Macedo considerou que as empresas de muitos setores "tiveram uma grande resiliência e tiveram bons anos" em 2024 e 2025.
Responsáveis de alguns dos principais bancos em Portugal consideraram esta terça-feira que o setor está preparado para os choques da guerra no Irão, remetendo para experiências recentes e para a preparação face à instabilidade.
"As empresas portuguesas, acho eu, estão mais preparadas", incluindo no caso dos bancos, que têm "uma capacidade de financiamento, de capital, de liquidez bastante sólida", disse o presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo.
No Fórum Banca 2026, organizado pelo Jornal Económico, em Lisboa, o líder do banco público apontou que o aumento do preço dos combustíveis e dos transportes e da inflação é "um cenário que naturalmente preocupa", mas defendeu que "vale a pena ver as experiências recentes".
Nesse sentido, Paulo Macedo considerou que as empresas de muitos setores "tiveram uma grande resiliência e tiveram bons anos" em 2024 e 2025.
"Não vejo de nenhuma maneira que isto seja alguma situação de pânico. A questão é se de facto a situação se prolongar", acrescentou, rejeitando que a situação seja, neste momento, catastrófica.
"Se tivermos um contexto de inflação, ou este aumento de preço é absorvido por uma parte da margem das empresas, ou é totalmente repercutido nos consumidores", disse, recordando que nas últimas ocasiões "foi bater na carteira das pessoas".
Já o presidente da Comissão Executiva do Millennium BCP, Miguel Maya, admitiu que as maiores incertezas nos últimos anos têm tornado a banca "mais rigorosa, defensiva".
"Tornam a banca a ter de trabalhar múltiplos cenários e ter de trabalhar com mais capital e estar preparada para ciclos que já não são de 10 em 10 anos e que são muitas vezes dentro do próprio ano", apontou.
A solução é, na sua opinião, "fazer uma belíssima avaliação do risco e ter sempre cenários contingentes e preparados para poder lidar com estes períodos".
A presidente executiva do Santander, Isabel Guerreiro, reforçou que é fundamental que os bancos e as empresas tenham "uma enorme velocidade e uma enorme capacidade de adaptação".
"O mundo hoje é volátil, incerto, complexo, ambíguo, e a velocidade a que as coisas acontecem já não é em semanas, meses, é em horas", afirmou, acrescentando que o que o seu banco está a fazer é "perceber o que é ruído e o que são sinais".
Admitindo que pode haver consequências de um encerramento prolongado do estreito de Ormuz, Isabel Guerreiro considerou que a instituição que lidera está preparada para atuar e defendeu que a banca portuguesa "está hoje muitíssimo mais capacitada do que estava há 10 ou cinco anos".
O presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, também destacou a evolução no ambiente global, remetendo para "uma sistemática alteração das condições".
"É muito difícil estar neste momento e ainda estarmos a antecipar o que é que vai acontecer", apontou, destacando os impactos dos preços da energia na circulação de bens e no turismo.
O presidente do Crédito Agrícola, Sérgio Frade, referiu que o banco tem estado "continuamente a rever estratégia" nos últimos meses e que a instituição tem procurado ser mais ágil, resiliente e adaptável.
O responsável disse ainda que o Crédito Agrícola tem falado com os clientes, nomeadamente no setor agrícola, para "serem mais adaptáveis, de terem mais flexibilidade nas suas cadeias de abastecimento" para reduzirem a sua exposição.
Já Pedro Leitão, do Montepio, acredita que com "um radar bem montado" e com "a capacidade de distinguir aquilo que é sinal daquilo que é ruído", os bancos portugueses "demonstraram que estão prontos, não só resilientes".
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.
O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.
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