Reserva Federal dos EUA reuniu-se na quarta-feira e decidiu manter os juros inalterados, com os analistas a esperar que o BCE siga o mesmo caminho.
O Banco Central Europeu (BCE) decide esta quinta-feira sobre política monetária, num contexto marcado pela guerra no Médio Oriente que levanta receios quanto à inflação, mas os juros devem ficar inalterados nos 2%, segundo preveem analistas.
A reunião do BCE ocorre numa altura em que as tensões no Médio Oriente, incluindo o encerramento do estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção global de petróleo e quase 20% do gás natural liquefeito, têm trazido uma maior volatilidade nos preços, em particular da energia.
A Reserva Federal dos EUA reuniu-se na quarta-feira e decidiu manter os juros inalterados, com os analistas a esperar que o BCE siga o mesmo caminho.
O banco central manteve a taxa de depósito inalterada nos 2% na última reunião, reiterando a sua expectativa de que a inflação se estabilize na meta dos 2% a médio prazo, enquanto salientou uma abordagem dependente dos dados.
"Embora não se preveja qualquer alteração nas taxas, as novas projeções e a conferência de imprensa da presidente Christine Lagarde serão acompanhadas com grande atenção", indicou a Xtb, sendo que o "aumento dos preços da energia devido às tensões no Médio Oriente obscureceu o caminho para a desinflação, provavelmente introduzindo um tom mais 'hawkish' nas perspetivas".
Segundo a Xtb, a expectativa dos mercados passou de uma manutenção das taxas durante a maior parte de 2026 para a possibilidade de um primeiro aumento de 25 pontos base para a reunião de julho, com um segundo aumento de 25 pontos base quase totalmente descontado para a reunião do BCE em dezembro.
Michael Krautzberger, diretor de Investimento Global de Mercados Públicos da Allianz GI, também indicou que o BCE deverá manter as taxas de juro inalteradas na sua próxima reunião, "ainda que adotando um tom mais vigilante em resposta à forte subida dos preços da energia após o conflito com o Irão".
"Com os mercados já a precificar uma probabilidade de cerca de 80% de um aumento da taxa de juro até ao final de 2026, esperamos que o BCE valide esta precificação em vez de a contestar", salientou.
Ainda que não se antecipe uma mudança iminente na política monetária, "a mensagem vai mudar para uma maior prontidão para agir caso as expectativas de inflação se comecem a desviar".
O BNP Paribas, numa nota de análise, também antecipa que o BCE mantenha as taxas de juro inalteradas e abandone a retórica de que a política monetária está num "bom ponto", adotando um tom "mais prudente e atento aos riscos".
Já o economista sénior da Generali Investments Martin Wolburg salientou que, em comentários recentes, "os membros do Conselho de Governo do BCE salientaram que o efeito da guerra com o Irão sobre o risco inflacionista depende da duração do conflito e que prevalece uma estrita dependência dos dados, reagindo apenas se as expectativas de inflação se desviarem, embora também tenham apontado que, ao contrário de 2022, a zona euro entra neste choque com uma política mais restritiva, apesar de os relatos recentes destacarem uma maior vigilância perante a incerteza geopolítica".
O BCE deve, assim, manter as taxas e comunicar que "olhará para além dos picos transitórios nos preços da energia".
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