O antigo administrador e ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal, atacou esta segunda-feira o ex-primeiro ministro José Sócrates, o antigo ministro das Finanças, a regulação e accionistas de peso do BCP. E afirmou que os dez mil milhões que valia o banco em 2007 "cegaram os gananciosos".
Nas declarações finais antes de a juíza proferir a sentença do recurso dos ex-gestores do banco às contra-ordenações da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Filipe Pinhal disse que o regulador presidido por Carlos Tavares "adulterou a realidade e distorceu os factos para acusar e condenar os arguidos", entre os quais o próprio Filipe Pinhal, o fundador do BCP Jardim Gonçalves e o antigo administrador financeiro,António Rodrigues.
Para Pinhal, "do lado da acusação estiveram o poder e a força". "O poder representado pelo primeiro-ministro José Sócrates, pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, pelo senhor governador do Banco de Portugal [Vítor Constâncio], pelo presidente da CMVM [Carlos Tavares], pelo senhor Berardo, senhor Luís Champallimaud [accionistas do BCP] e pela Sonangol."
Do mesmo modo,acrescentou, "a força esteve na arbitrariedade como a CMVM conduziu o processo".
O ex-adminsitrador disse ainda à juíza do processo que "a condenação do BCP convinha ao Dr- Carlos Tavares, aos administradores do BCP que se transferiram da Caixa [como Carlos Santos Ferreira e Armando Vara] e ao senhor Berardo". "Era a legitimação do golpe [ao banco]", rematou.
Sem se poupar nas palavras e revisitando os resultados do BCP nos últimos anos - que segundo enunciou terão passado de mil milhões de euros para 500 milhões de prejuízos - Filipe Pinhal afirmou que "essa foi a obra feita pela troika qe se transferiu da Caixa para o BCP e que reduziou o banco a menos de 10% do seu valor".
O banqueiro disse ainda que a CMVM permitiu aquele "ataque ao poder" ao não obrigar ao lançamento de uma OPA. "Aqueles senhores apropriaram-se do banco sem gastar a ponta de dinheiro", afirmou.
"O nome deste processo não devia ser 'As irregularidades no BCP' mas os'Dez Mil Milhões' que valia o BCP", disse Filipe Pinhal.
"Dez mil milhões cegam os gananciosos e cegam quem do lado do Estado quis afastar umas pessoas para lá colocar outras", concluiu.
Já Jardim Gonçalves, o fundador da instituição, voltou a repetir que "hoje é claro que o banco foi tomado de assalto" e que um dos seus representantes, referindo-se a Joe Berardo, "decidiu delvar o caso ao Banco de Portugal e à CMVM para servir de meio para fazer esse assalto".
"Perdeu o banco e perderam os accionistas", afirmou o banqueiro à juíza.
A CMVM acusou nove arguidos: Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, António Rodrigues, Alípio Dias, António Castro Henriques e Paulo Teixeira Pinto, assim como Luís Gomes e Miguel Magalhães Duarte. Destes, só Cristopher de Beck, Castro Henriques e Paulo Teixeira Pinto optaram por não falar antes da sentença.
Na acusação da CMVM, o regulador acusa os ex-gestores de prestação de falsa informação aos mercados entre 2002 e 29007. Em causa está, na tese da acusação, a utilização de offshores para compra de acções próprias do banco e camuflagem de perdas da instituição.
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