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Campos Cunha com ordenado milionário

O ministro de Estado e das Finanças, Luís Campos e Cunha, está a acumular mensalmente o salário de ministro com uma pensão de reforma, que no total atinge quase os 15 mil euros mensais.

03 de junho de 2005 às 13:32

Luís Campos e Cunha foi vice-governador do Banco de Portugal entre 1996 e 2002, pelo que tem direito a uma pensão de reforma de oito mil euros mensais.

Enquanto ministro de Estado e das Finanças, Campos e Cunha recebe um salário de 6.908 euros, isto sem contar com ajudas de custo e despesas de representação.

O ministro declarou à comunicação social que cumpre integralmente e rigorosamente a lei. Campos e Cunha diz ainda que receber a pensão é um direito adquirido legal e legítimo, acrescentando que a sua reforma não tem implicações no défice uma vez que não é paga pela Caixa Geral de Aposentações nem pela Segurança Social.

O primeiro-ministro. José Sócrates, já declarou que mantém toda a confiança em Campos e Cunha e que o actual ministro vai ganhar aquilo "a que tem direito por lei".

OPOSIÇÃO UNIDA NA CRÍTICA

A oposição criticou hoje o ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, por acumular o seu vencimento de ministro com uma reforma de Banco de Portugal, depois de "impor sacrifícios aos portugueses".

"Há um princípio ético que é incontornável: os exemplos têm de vir de cima. A confirmarem-se estas notícias, a minha opinião é que o caso fala por si próprio", afirmou o líder parlamentar do PSD, Luís Marques Guedes, numa curta declaração aos jornalistas no Parlamento.

O PCP foi mais claro e manifestou a sua indignação sobre este caso citando um provérbio popular: "Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz".

"É inadmissível, sobretudo num momento em que aos portugueses são impostas limitações no seu direito à reforma", considerou o deputado do PCP António Filipe, sublinhando que este caso é uma prova de que "os sacrifícios pedidos pelo Governo não são para todos".

O Bloco de Esquerda, através do deputado João Teixeira Lopes, foi ainda mais longe, considerando que o ministro das Finanças "não tem perfil ético" para impor medidas restritivas aos portugueses e comparando este caso ao do presidente do Governo regional da Madeira Alberto João Jardim (que acumula reforma e vencimento), anteriormente criticado pelo PS.

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