Em 2027, o PIB da zona euro deverá subir 1,2%, estima esta quinta-feira a Direção-geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão.
O crescimento da economia da zona euro vai abrandar, em 2026, para os 0,9% e o da UE para 1,1%, devido ao conflito no Médio Oriente, segundo as previsões económicas da primavera, esta quinta-feira divulgadas pela Comissão Europeia.
Na área do euro, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deverá desacelerar este ano para 0,9%, uma estimativa 0,3 pontos percentuais abaixo da anterior, divulgada em novembro de 2025, que apontava para uma subida de 1,2%.
Em 2027, o PIB da zona euro deverá subir 1,2%, estima esta quinta-feira a Direção-geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão.
Na União Europeia (UE), depois de ter atingido 1,5 % em 2025, prevê-se agora que o crescimento do PIB abrande para 1,1% em 2026 --- uma revisão em baixa de 0,3 pontos percentuais em relação às previsões económicas do outono de 2025 (1,4%).
O PIB do bloco comunitário deverá, em seguida, acelerar para 1,4% em 2027.
O executivo comunitário atribui este abrandamento ao choque dos preços da energia e à quebra no sentimento económico, causados pela guerra no Médio Oriente, que se iniciou em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão (alastrando a países vizinhos deste) e inverteu as perspetivas de crescimento da economia da área do euro e da UE.
Para a Comissão, enquanto importadora líquida de energia, a economia da UE é altamente vulnerável ao choque energético causado pelo conflito no Médio Oriente, com o aumento dos preços da energia a refletir-se na subida das despesas das famílias num aumento dos custos para as empresas, "desviando efetivamente rendimentos da economia da UE para os países exportadores de energia".
Entre as maiores economias europeias, no primeiro trimestre do ano a atividade económica aumentou em Espanha (0,6%), na Polónia (0,5%), na Alemanha (0,3%) e 0,2% em Itália, tendo estagnado em França, enquanto na zona euro subiu 0,1% e na UE 0,2%, respetivamente 0,2 e 0,3 pontos percentuais abaixo do que Bruxelas tinha antecipado nas previsões do outono passado.
A inflação começou a acelerar algumas semanas após o início do conflito, impulsionada pelo aumento acentuado dos preços das matérias-primas energéticas, e a atividade económica "perdeu dinamismo", segundo o diagnóstico de Bruxelas.
Na zona euro, a inflação para este ano é agora estimada em 3%, uma forte subida face aos 2,1% estimados em novembro, e deverá abrandar para 2,3% em 2027.
No conjunto dos 27 Estados-membros, a inflação deverá fixar-se nos 3,1% (estava prevista nos 1,9%) e também desacelerar em 2027, para 2,4%.
O défice orçamental dos 21 países da moeda única deverá agravar-se este ano para 3,3% e 3,5% do PIB em 2027, com um comportamento semelhante a ser estimado para a UE: -3,5% este ano e -3,6% no próximo.
O peso da dívida, por seu lado, vai aumentar para 90,2% do PIB da zona euro em 2026, face aos 88,7% homólogos, e 91,2% no ano seguinte, enquanto na UE está também antecipado um agravamento da dívida pública de 82,8% em 2025 para 84,2% este ano e 85,3% do PIB em 2027.
No que se refere à taxa de desemprego, esta deverá manter-se estável tanto na zona euro (6,4% tanto este ano quanto no próximo, face a 6,3% de 2025) quanto na UE (constante em 6,0% nos três aos considerados).
As previsões económicas esta quinta-feira divulgadas apontam ainda para um abrandamento do saldo da conta corrente da zona euro de 2,5% do PIB em 2025 para 1,7% este ano e no próximo e, na UE, deverá fixar-se nos 1,7% em 2026 e 1,6% do PIB em 2027, face aos 2,4% registados no ano passado.
O executivo comunitário destaca ainda que à medida que o conflito no Médio Oriente se arrasta, os preços do petróleo e do gás poderão manter-se elevados por mais tempo do que o assumido nas projeções de referência -- que apontam uma tendência descendente ao longo do horizonte da projeção.
Se o estreito de Ormuz, por onde é comercializado o grosso do petróleo mundial, não for reaberto à navegação até início do verão e seguido por uma normalização ainda que parcial dos fluxos, aumenta o risco de que os atuais preços de mercado venham a revelar-se demasiado otimistas.
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