Queixas sobre reporte de dívidas cresceram 10%, divulgou o Banco de Portugal.
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As reclamações sobre contas de depósitos à ordem passaram desde 2015 a ser a matéria mais reclamada pelos clientes bancários ao Banco de Portugal e por norma mais de 90% das queixas tem a ver com uma coisa: as comissões bancárias. O ano passado não foi exceção, revela o Banco de Portugal num relatório publicado esta quarta-feira: apesar de terem diminuído cerca de 5% face ao ano anterior, as comissões fazem com que as contas de depósito continuem a ser a matéria mais reclamada, com mais de 4.300 participações ao supervisor.
A informação insuficiente sobre as comissões associadas às contas à ordem e os montantes exigidos a título de comissão são as principais razões de queixa, tal como nos anos anteriores. Sob pressão das perdas infligidas pela crise, por más práticas de crédito e pela maior exigência dos reguladores, os bancos aumentaram abruptamente as comissões nos últimos anos. A média anual dos preços dos serviços bancários em Portugal é de 78 euros, segundo um estudo da consultora Deloitte publicado em 2018 – é o dobro do verificado em Espanha.
No ano passado o Banco de Portugal recebeu ao todo 15.254 reclamações dos clientes dos bancos, um número praticamente idêntico ao de 2017 (15.282). A segunda matéria mais reclamada é o crédito aos consumidores, com um aumento de 10,1% nas queixas.
No relatório de Supervisão Comportamental de 2018 o Banco de Portugal explica que no contexto do crédito ao consumo "o reporte das responsabilidades de crédito dos clientes foi a matéria que mais reclamações suscitou". Por outras palavras: pessoas a queixarem-se que não tinham as dívidas bancárias que lhes são imputadas por credores.
Uma parte indeterminada do aumento destas reclamações estará ligado às vendas massivas de malparado de particulares feitas pelos bancos a investidores internacionais, que depois entregam a cobrança a empresas de recuperação de créditos. Uma fonte dessa indústria, ouvida pela SÁBADO, aponta que são muitas as queixas de devedores ao Banco de Portugal contra o valor de dívidas que lhes tentam cobrar.
Contas à ordem e crédito ao consumo valem mais de 56% do total das queixas. O crédito à habitação é o terceiro alvo principal de reclamações (13%), tal como nos anos anteriores.
O Banco de Portugal aponta que na maior parte das reclamações "não foram detetados indícios de infração na atuação da instituição de crédito" e que nas restantes 44% a situação "foi sanada" pelo banco.
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