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Crise baixa receitas

Consumidores trocam de tarifário e utilizam mais do que um cartão para fazer baixar despesas mensais com telemóveis. Cerca de 25 por cento já mudaram de plano pelo menos três vezes

19 de julho de 2010 às 00:30

A TMN, Vodafone e Optimus ganham cada vez menos dinheiro com cada cliente, apesar das subidas anuais de preços. A crise não é a única razão – a tendência já vem de trás – mas a necessidade de reduzir o custo da factura com telemóvel é uma realidade. Troca de tarifário e acumulação de cartões são dois dos expedientes usados para fazer baixar a factura mensal em comunicações.

As quebras nas receitas médias por cliente nas três operadoras móveis nacionais atingiram os 30 por cento nos últimos cinco anos, com valores superiores a 10 por cento só entre 2008 e 2009. As explicações das três empresas – TMN, Vodafone e Optimus – para esta quebra de receitas variam entre a crise económica e as reduções de preços nas chamadas impostas pela Autoridade Nacional de Comunicações e pela União Europeia.

A Optimus, que apresenta a receita mais baixa por cliente, admite que as quebras registadas se prendem com o actual contexto económico, considerando que é de esperar que 'as pessoas sejam mais cautelosas com os seus gastos', explica fonte da operadora.

Por seu turno, entre as razões apontadas pela TMN encontram-se os ajustamentos de clientes a tarifários. E, de facto, um estudo da Autoridade da Concorrência revela que cerca de 75 por cento dos consumidores já mudaram de tarifário e 25 por cento alteraram-no 'três ou mais vezes'.

Outra das razões, segundo a Vodafone, prende-se com a 'proliferação de segundos e terceiros cartões num mesmo cliente'. Uma realidade que a entidade reguladora das comunicações (Anacom) constatou num estudo, no qual conclui que cerca de 10 por cento dos clientes dispõem de mais do que um cartão activo.

A estas explicações, há que acrescentar as sucessivas descidas das receitas de interligação (o preço que as operadoras pagam umas às outras) impostas pela Anacom, de acordo com a leitura feita ao CM por fontes oficiais da Vodafone e da TMN.

TOPOS DE GAMA CUSTAM METADE EM SEIS ANOS

Os preços dos telemóveis mais sofisticados têm vindo também a baixar significativamente. Em 2004, quando foram lançados os telemóveis de 3ª geração, os primeiros aparelhos chegaram ao mercado a 699,90 euros. Esse era o preço de referência do Siemens U15, lançado pela TMN, cerca de 10 euros mais caro do que o Samsung Z10 com que a Vodafone lançou o serviço. Um aparelho equivalente custa hoje, na Optimus, 79,90 euros. Actualmente, um telemóvel topo de gama – tal como aqueles modelos o eram na altura – chega ao mercado a metade ou menos de metade daquele preço. É o caso do Vodafone 360 Samsung H1, que se encontra à venda por 209,90 euros, ou do Samsung Galaxy-S da TMN, que custa 399,90 euros.

 

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