Tiago Oliveira reiterou que Portugal pode vender a quantidade que quiser de pastéis de nata que não irá competir com as importações que o país tem que fazer.
O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, afirmou esta sexta-feira que Portugal não pode ter uma economia baseada no turismo, dizendo que o país está "assente em produtos de baixo valor acrescentado".
"Há aqui outra questão que é central e que ninguém discute, que é o valor daquilo que é produzido no nosso país, nós temos um país assente em produtos de baixo valor acrescentado, nós não podemos ter um país assente na hotelaria, no turismo", disse o dirigente em declarações aos jornalistas à margem da tribuna pública que assinala o dia mundial da Segurança Social.
Tiago Oliveira reiterou também, que Portugal pode vender a quantidade que quiser de pastéis de nata que não irá competir com as importações que o país tem que fazer.
"Podemos querer vender o maior número de croissants e pastéis de nata que quisermos vender, nada disto vai entrar em concorrência com aquilo que temos que comprar fora porque abdicámos da nossa produção nacional", afirmou o sindicalista.
O dirigente fez referência à compra de comboios que Portugal vai fazer a países estrangeiros, dizendo que existia uma "grande empresa de comboios a nível nacional".
"Nós agora temos que comprar mais 100 comboios, vamos comprar os 100 comboios onde? Vamos comprar a Espanha, vamos comprar a França, vamos comprar à Suíça", disse.
"Mas nós tínhamos uma grande empresa de comboios a nível nacional, e quantos pastéis de nata é que vamos ter que vender para comprar um comboio à Suíça, a Espanha ou a França?", acrescentou.
Tiago Oliveira remete as questões da baixa produtividade nacional para as políticas públicas que foram seguidas ao longo dos anos.
"A questão da produtividade está aqui, naquilo que são as escolhas políticas que foram seguidas ao longo de todos estes anos, e portanto, quando se fala em produtividade, que se olhe para as questões do trabalho, para a valorização dos trabalhadores e criar nos trabalhadores condições para terem uma vida próspera no seu país", reiterou o dirigente.
Relativamente ao pacote laboral, Tiago Oliveira asseverou que "há uma rejeição" e que os partidos na Assembleia da República "terão de ser responsabilizados" consoante o seu voto no parlamento.
"Ou estão do lado de um governo que tem respondido aos interesses dos patrões, ou estão do lado da maioria, a maioria são os trabalhadores, e os trabalhadores rejeitam este pacote laboral", defendeu.
Em relação a impostos, o sindicalista assegura que os trabalhadores não têm problema em pagá-los, que apenas exigem que eles sejam investidos "na melhoria dos serviços públicos, na melhoria da resposta às necessidades das populações".
"Os trabalhadores não se queixam de pagar impostos a mais, porque a questão central é por onde é que vai o dinheiro dos nossos impostos", rematou Tiago Oliveira.
Mais tarde, no discurso de encerramento da tribuna pública, o secretário-geral da central sindical acusou ainda a União Europeia de querer "substituir a repartição solidária pela capitalização individual", fazendo com que as "pensões dependam dos mercados financeiros, da bolsa, da especulação".
"No futuro o valor da nossa reforma vai ser uma incógnita. Dependerá se os bancos têm ou não têm lucro, se as ações subiram ou não, ou do comportamento dos mercados financeiros", disse Tiago Oliveira.
O sindicalista prosseguiu a crítica à União da Poupança e do Investimento e a recomendação para a inscrição automática em planos complementares de reforma.
"Querem que, sem sequer pensarmos muito, sejamos empurrados para os fundos privados, com a promessa de benefícios fiscais, que, atenção, são dinheiro público a alimentar os lucros da banca, das seguradoras e dos fundos privados", afirmou.
"E o nosso Governo, em vez de defender este sistema público, dá-lhes mão e abre as portas para fragilizar o sistema de repartição, incentivar os regimes complementares, preparar o terreno para mais tarde substituir o público pelo privado (...) a mesma mão que ataca as nossas pensões, que ataca os nossos salários, que ataca os nossos direitos, vem apresentar aos trabalhadores o pacote laboral", acrescentou.
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