O proprietário da empresa Bilotel - Têxtil Hoteleira está indignado: numa altura em que o desemprego cresce a olhos vistos, quer contratar pessoal, mas não consegue encontrar – como diz Abílio Matias – quem queira trabalhar. Sendo uma situação algo insólita, o Correio da Manhã foi ao local fazer reportagem e descobriu que em Pontével, perto do Cartaxo, a empresa é conhecida pela população por não cumprir com a legislação em vigor.
Ao tentar saber junto do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) quais as razões que levam os desempregados a recusarem trabalho na referida empresa, o secretário de Estado do Trabalho, Luís Paes Antunes, contactou o CM para explicar que o Centro de Emprego de Santarém já enviou à Bilotel, nos últimos dois anos, 35 candidatos, tendo até ao momento sido colocados quatro.
“Tem havido referências de irregularidades”, nomeadamente de salários em atraso e de incumprimento do pagamento do salário mínimo nacional, acrescentou o governante, ao adiantar que, sobre a questão dos atrasos, a Bilotel foi investigada, tendo-se concluído que não correspondia à verdade. No que respeita ao cumprimento da obrigatoriedade de pagar ordenado mínimo, a Inspecção-Geral do Trabalho já tem instruções para inspeccionar.
Luís Paes Antunes refere, contudo, que o caso da Bilotel não é único. O que acontece é que há “um desajustamento entre a oferta e a procura. As ofertas são superiores em 2003 às de 2002, mas a taxa de satisfação é menor”, acrescenta ao sublinhar que “é prematuro saber de que lado está o problema”. Certo é que a Bilotel fez investimentos e possui equipamentos para dar trabalho a 30 ou mais pessoas e, na altura da reportagem, apenas possuía sete funcionárias, pelo que Alípio Matias diz que necessitava de mais 15 ou 20 pessoas e que não é caso único na região uma empresa não conseguir encontrar trabalhadores. “Estamos subaproveitados. Assim não obtemos rendibilidade. Há encomendas, mas não temos uma equipa como deve ser”.
Questionado sobre as condições que oferece aos trabalhadores, o proprietário da empresa afirma que são “conforme a experiência. Se tiver de admitir uma pessoa sem experiência, não me vai render aquilo que pago”. Adianta, no entanto, que “inicialmente é o que oferecemos: o salário mínimo”.
A empresa existe desde 1979 e já chegou a ter 40 trabalhadores. Agora, o próprio Abípio Matias diz que lhe respondem que a fábrica tem má fama e o Centro de Emprego já não lhe manda mais gente. Aos que afirmam morar longe, prometeu adquirir um automóvel usado para transporte e tem recorrido a todo o tipo de anúncios a oferecer emprego. Até porque o negócio poderia crescer, mas assim “não há expansão possível”.
Por outro lado, ao chegar a Pontével, a equipa do CM perguntou a alguns residentes onde ficava a fábrica e as opiniões que imediatamente manifestaram não são muito abonatórias à Bilotel: “O quê? A fábrica da exploração?!”, questionaram-nos. E houve quem confirmasse que há funcionárias na empresa que dizem não receber o salário mínimo nacional.
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