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Correio da Manhã

Economia
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Empréstimos em vez de depósitos

No início de Novembro do ano passado, Manuela Lopes transferiu uma poupança de 250 mil euros do BPP para outro banco. Para sua surpresa, no dia 26, dois dias depois de as contas do Banco Privado terem sido congeladas, recebeu um extracto em que constava um saldo negativo de 237 mil euros, ou seja, os ditos 250 mil menos 13 mil que tinha à ordem.

26 de Maio de 2009 às 00:30
Empréstimos em vez de depósitos
Empréstimos em vez de depósitos FOTO: Sónia Caldas

Nos últimos seis meses, deu conta deste 'erro' à administração do banco, ao Banco de Portugal e à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). No entanto, tal como outros 60 clientes, recebeu uma carta do Banco de Portugal a dar conta de que, apesar do congelamento das contas do BPP, teria de continuar a pagar as prestações dos créditos.

Manuela Lopes diz que estamos perante 'uma burla' e, juntamente com os restantes lesados, tenciona apresentar queixa-crime contra a administração do BPP.

'Aquilo que eu pensei ser um erro, que várias vezes pedi para corrigirem, verifico agora que se tratou de mais uma fraude', diz Manuela Lopes, acrescentando que 'eles não corrigiram o suposto erro porque, afinal, estávamos perante algo de premeditado e propositado'.

Ontem, os clientes do BPP voltaram a concentrar-se na sede do banco, no Porto, exigindo que o Estado dê 'garantias claras de que as pessoas vão receber o seu dinheiro e, no início da noite, decidiram permanecer nas instalações do banco 'até garantia do pagamento da totalidade dos seus depósitos'.

Alguns deles reclamaram também o apoio das figuras públicas que participaram em campanhas publicitárias do BPP.

'Nós gostávamos de sentir o apoio de pessoas como Pacheco Pereira, Ana Salazar, Clara Ferreira Alves, Manuel Alegre, Maria João Avilez, Proença de Carvalho, Padre Vítor Melícias e outros, que em tempos deram, ganhando com isso, a cara pelo banco', disse ao Correio da Manhã Carlos Cardoso.

PORMENORES

2100 À ESPERA DO ESTADO

São cerca de 2100 os clientes do BPP que têm as contas congeladas. Ontem voltaram a exigir garantias do Estado.

MAIOR SALDO NEGATIVO

Dos cerca de 60 que ficaram com saldo negativo na conta, após levantamentos em Novembro de 2008, o mais volumoso é o de um cliente do Porto: 900 mil euros.

MARCHA SOBRE LISBOA

Ainda não há data certa, mas está decidido que, na próxima semana, haverá mais uma 'manifestação em Lisboa'.

 

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