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Ex-ministro diz que Portugal tem "espaço e oportunidade" para fazer reformas

Antigo governante falava num debate com outros dois ex-ministros da Economia, Augusto Mateus e António Costa Silva, durante a apresentação do estudo "Dívida Externa de Portugal: diagnóstico e contributo de uma política pública estruturante".

23 de janeiro de 2026 às 20:52

O ex-ministro da Economia Pedro Reis acredita que "Portugal tem o seu espaço e a sua oportunidade" para crescer economicamente apesar de o mundo se encontrar em mudança acelerada, afirmou hoje num debate em Lisboa.

"Se se abrir uma janela de estabilidade política, seria importante aproveitar para fazer reformas estruturais", disse o titular da pasta da Economia no primeiro governo da AD num debate no Instituto Superior de Economia a Gestão (ISEG).

O antigo governante falava num debate com outros dois ex-ministros da Economia, Augusto Mateus e António Costa Silva, durante a apresentação do estudo "Dívida Externa de Portugal: diagnóstico e contributo de uma política pública estruturante", da autoria de Ricardo Cabral, João Alcobia e Carolina Saraiva.

Nesse cenário de estabilidade, Pedro Reis defendeu que a prioridade deve ser efetuar a reforma do Estado, porque "a Administração Pública ganhou medo".

"É preciso reempoderar os decisores, arranjar espaço para a decisão. É um problema cultural, mas enquanto não se fizer isto, que é a reforma mais profunda, serão só panaceias", disse ainda.

António Costa Silva, ex-ministro da Economia de António Costa, concordou que é necessário "mudar a cultura do país" para acelerar o crescimento económico.

"Na Administração Pública, as pessoas têm muito medo de tomar decisões. São punidas por fazerem, não o são por não fazerem. Há uma aversão ao risco e uma intolerância ao erro", constatou.

Já o ex-ministro da Economia Augusto Mateus pediu "realismo" para que "as reformas necessárias possam ser feitas".

"Portugal devia estar a fazer há muito tempo investimentos geradores de valor acrescentado. O modelo que criámos tem limites, os incentivos são pouco claros, não há uma base sólida para mudar a especialização da economia portuguesa e articular coesão com competitividade", afirmou.

"Há muitas andorinhas em Portugal, o problema é como é que se faz a primavera", disse, acrescentando que é preciso "apurar a razão de tanto esforço não ter produzido ainda a primavera".

A disciplina nos resgates a empresas estratégicas e limitações à capacidade do Governos contrair dívida pública não prevista no Orçamento do Estado, sem um retificativo, são algumas das medidas propostas no estudo "Dívida Externa de Portugal: diagnóstico e contributo de uma política pública estruturante", apoiado pela Confederação de Comércio e Serviços de Portugal (CCP).

De acordo com os autores, a dívida externa líquida "continua a constituir um dos principais desequilíbrios macroeconómicos da economia portuguesa, porquanto limita a capacidade de crescimento da economia e onera a economia portuguesa com elevados custos de financiamento externo que se traduzem em significativos défices da balança de rendimento primário".

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