Laplaine Guimarães, o homem-forte da mais importante câmara do País, vai ser esta quara-feira ouvido em tribunal. Há quatro detidos após o desmantelar de um esquema criminoso, relacionado com a instalação de iluminações de Natal.
É a primeira vez que o crime de corrupção aparece ligado a associação criminosa, o que leva a um aumento da moldura penal aplicada. Isto porque, para as autoridades - no caso a Polícia Judiciária do Porto -, não há dúvidas de que desmantelaram um grupo organizado que ao longo dos anos dava como certa a vitória nos concursos públicos. O esquema tinha como pivô Laplaine Guimarães, secretário-geral da câmara de Lisboa, que esta quarta-feira vai ser ouvido pelo juiz Pedro Miguel Vieira, e estava relacionado com a adjudicação dos serviços à volta das iluminações de Natal. Laplaine era até esta terça-feira o homem-forte da maior câmara do País e até o que auferia o maior vencimento - só suplantado pelo do presidente. Trabalhou com João Soares, António Costa, Fernando Medina e agora com Carlos Moedas, mas ninguém parece ter suspeitado. Saiu durante um curto período - quando assumiu funções na presidência da República, com Jorge Sampaio.
A Castros Iluminações Festivas, sediada em Vila Nova de Gaia, está no centro da investigação por suspeitas de corrupção. Um administrador e um funcionário desta empresa também foram detidos. A PJ diz que, com “o esquema criminoso, organizado”, a empresa ganhou mais de 8 milhões em contratos públicos viciados. A investigação suspeita do pagamento de subornos em troca de informação privilegiada. Era desta forma que a empresa conseguia apresentar a melhor proposta para ganhar o fornecimento e instalação das luzes de Natal.
E também
Investigação dura há 18 meses
Pedro Machado está à frente da PJ do Porto. Foi esta polícia que na madrugada de terça-feira avançou para Lisboa e procedeu às detenções fora de flagrante delito. O segredo foi a palavra de ordem, numa investigação que decorre há ano e meio. Foram feitas 26 buscas que visaram muitas autarquias de norte a sul do País.
Polémica na Trofa
Dois dias depois de ter sido lançado o concurso público, e ainda a faltarem quatro para o término do prazo para submissão de propostas, a ‘Castros’ começou a instalar as luzes de Natal nas ruas da Trofa. A câmara negou ter dado qualquer autorização.
Concurso suspeito
O concurso da câmara da Trofa para as luzes de Natal de 2023 levantou as primeiras suspeitas. Foi lançado pelo município com o valor de 214 mil euros.
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