Descontando o efeito do ciclo económico e das medidas temporárias, o FMI projcta um défice praticamente inalterado para 2019.
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Só por se dissipar o impacto de medidas extraordinárias que prejudicaram as contas de 2018, e com uma pequena ajuda do ciclo económico, o défice orçamental deverá cair no próximo ano para 0,3% do PIB, projeta o Fundo Monetário Internacional (FMI), no âmbito do Fiscal Monitor, publicado na madrugada desta quarta-feira.
Sem contar com novas medidas de ação política – e excluindo também o resultado das negociações em curso entre o Governo e os parceiros de esquerda –, o FMI diz que o défice vai cair em 2019 para menos de metade (dos 0,7% com que deverá fechar este ano, para 0,3%).
Esta projecção mantém-se inalterada face à perspetiva que já tinha sido avançada em Setembro, aquando da avaliação feita ao abrigo do Artigo IV do FMI. E difere em apenas uma décima da meta (0,2%) que o Governo quer inscrever no Orçamento do Estado para 2019, conforme confirmou ontem fonte oficial do Executivo.
Porém, em termos estruturais, ou seja, descontando tanto os efeitos temporários, como o resultado do ciclo da atividade económica, o défice ficará praticamente inalterado. Na base de dados do World Economic Outlook, atualizada na madrugada de terça-feira, o défice estrutural passa dos 0,47% do PIB para 0,54%. Por outras palavras, isto quer dizer que o défice que resulta das escolhas feitas até agora pelo Executivo, e que se deverá repetir ano após ano a menos que sejam tomadas medidas estruturais, fica praticamente na mesma.
Já quanto à dívida pública, o FMI mantém a perspetiva de que deverá ficar em 120,8% este ano, recuando para 117,2% do PIB em 2019, duas décimas acima da previsão do Governo. A confirmar-se, quer dizer que no próximo ano a dívida pública portuguesa volta a estar abaixo do patamar psicológico dos 120% do PIB, que furou em 2012. Continuará, ainda assim, acima do limite dos 60% do PIB permitidos pelo Pacto de Estabilidade.
Uma nova abordagem
Apesar de continuar a atualizar, e projetar, todos os indicadores que tradicionalmente servem para avaliar as finanças públicas dos países, o FMI apresenta na edição deste Fiscal Monitor uma proposta de uma abordagem mais abrangente.
A ideia, como refere o relatório, não é desvalorizar os indicadores habituais – como o défice ou a dívida –, mas antes somar informação que tradicionalmente não é tida em conta. Desde logo, a nova abordagem olha para o balanço de todo o sector público, considerando também os ativos que os Estados detêm, como, por exemplo, infra-estruturas ou recursos naturais.
O documento não apresenta, de forma detalhada, os dados para Portugal, mas indica, por exemplo, que o valor líquido do sector público português, tendo em conta todos os ativos e passivos, era em 2016 o mais negativo do conjunto de 31 países avaliados.
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