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Função Pública não adere à greve

Os números da adesão à greve dos funcionários públicos variaram entre os 4,5 por cento e os 60 por cento, segundo o Governo ou a Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (Frente Comum). A Saúde foi uma das áreas com menos funcionários em greve e a Educação foi a que sentiu mais os efeitos da paralisação.<br/><br/>

07 de maio de 2011 às 00:30

A Frente Comum convocou a greve para protestar contra o congelamento e os cortes salariais, o aumento dos impostos, precariedade, despedimentos, privatizações e as medidas que viessem a ser impostas na sequência da negociação da ajuda externa a Portugal.

Segundo dados do Ministério das Finanças, fizeram greve 12 583 funcionários dos 278 179 escalados, o que representa uma adesão de 4,52 por cento.

Na Saúde, aderiram à greve 4845 trabalhadores, de um universo de 78 582 funcionários escalados, e na Educação houve 3962 grevistas, de um total de 60 051.

Apesar destes números, no Hospital de Santa Maria os efeitos da greve não se sentiram. "Os serviços estão a decorrer com toda a normalidade", diz fonte da administração.

Uma médica daquela unidade afirmou ao CM que "não faz sentido fazer greve num período de transição, com um governo de gestão". Adianta que "a situação económica do País também não valida a greve".

Vários utentes ouvidos pelo CM afirmaram ter tido consulta e "não se aperceberam de que havia greve".

Abel Nunes, de 68 anos, utente do Centro de Saúde de Sete Rios, em Lisboa, referiu que "as consultas decorreram normalmente". "Nem parece dia de greve", sublinhou.

Idêntico ambiente registou-se nas consultas externas e na Urgência do Hospital de São José, também em Lisboa.

O Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica funcionou com normalidade, apesar da adesão à greve próxima de 100 por cento, porque "os funcionários cumpriram os serviços mínimos", disse fonte do INEM.

FECHAM MAIS DE 100 ESCOLAS

A greve da Função Pública obrigou ontem ao fecho de 138 serviços na área da Educação, sendo que mais de uma centena são escolas. De acordo com o Governo, deveriam estar a trabalhar 60 051 funcionários da Educação e fizeram greve 3962, numa adesão de 13,1%.

Já as provas de aferição de Língua Portuguesa não foram praticamente afectadas. Segundo o Ministério da Educação, apenas 270 alunos dos 237 mil inscritos não puderam rea-lizar as provas, devido ao encerramento de dois agrupamentos de escolas na zona Centro. Um deles é em Castelo Branco.

Os sindicatos falam de 60% de adesão global mas não discriminam por sector. Luís Pesca, da Federação dos Sindicatos da Função Pública, disse ao CM que "houve muitapressão para os trabalhadores não fazerem greve, com directores a ameaçar com faltas injustificadas". O dirigente sindical garante que as direcções das escolas aproveitaram "o vínculo precário de funcionários pagos a três euros à hora e outros com contrato de emprego de inserção" para exercerem pressão. O CM esteve ontem na Escola Nuno Gonçalves, em Lisboa, onde a greve não se fazia sentir e as provas de aferição decorreram normalmente. Os alunos ouvidos pelo CM consideraram todos a prova fácil. "Pensava que ia ser mais difícil, acho que vou ter B", disse Gastão Vieira, aluno do 6º ano. Já Catarina Figueiredo, também do 6º ano, achou a prova "mais fácil do que os testes feitos durante o ano".

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