Companhia “low cost” diz que as negociações com o sindicato dos pilotos seguem a bom ritmo.
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A maioria dos pilotos ao serviço da Ryanair em Portugal já aceitou uma subida no ordenado, depois da contestação no final de 2017. O cenário foi traçado esta quarta-feira, 21 de fevereiro, pelo presidente da empresa, Michael O’Leary.
"Mais de 75% dos pilotos em Portugal aceitaram um amento nos salários", confirmou numa conferência de imprensa em Lisboa. O’Leary assegura, contudo, que as negociações com o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) são para continuar.
Em outubro passado, a companhia anunciou que ia gastar mais 100 milhões de euros por ano para pagamentos a pilotos. "Fomos durante 30 anos uma empresa sem sindicatos. Ficou claro que os nossos pilotos queriam que lidássemos com sindicatos", explicou.
Quanto à greve de seis dias que os tripulantes de cabine marcaram para o período da Páscoa, o presidente da Ryanair mostra-se confiante de que a mesma não seguirá em frente. O’Leary diz que a empresa tentou reunir-se com o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), sem sucesso.
Reforço de rotas e problemas em Lisboa
A Ryanair anunciou o lançamento de 14 novas rotas em Portugal a partir de novembro: uma em Lisboa, oito no Porto e cinco em Faro. O objetivo é superar a fasquia dos 11 milhões de passageiros, o que significa um crescimento de 6%.
O reforço em Lisboa só não é maior pela falta de espaço na Portela. Michael O’Leary acusa a gestora aeroportuária ANA de querer "atrasar" o início da pista complementar no Montijo. ""A ANA não quer voos no Montijo. Quer mantê-los na Portela com taxas mais altas", diz. Para o empresário, foi um "erro" o Governo ter vendido a ANA aos franceses da Vinci.
O presidente da Ryanair vai mais longe e considera que "há uma conspiração entre a ANA e a TAP" para que o projeto no Montijo não avance antes de 2020. Por isso mesmo, a vontade da própria Ryanair em ter, tanto na Portela como no Montijo, 80 destinos a partir de Lisboa – atualmente são 27 – fica comprometida.
A Ryanair está ainda negociar uma terceira localização nos Açores, depois de Ponta Delgada e Terceira. Michael O’Leary diz estar a conversar com o Governo Regional e com a ANA, sendo os "custos" a maior dificuldade.
Michael O’Leary mostrou-se ainda preocupado com o impacto negativo do Brexit no turismo português, com as indefinições sobre se continuará a haver um espaço aéreo único como até agora. "O Brexit é uma ameaça real para o turismo português em 2019 ou 2020", resumiu, citado pelo Jornal de Negócios.
A segunda maior companhia aérea em Portugal voa para cinco aeroportos e terá, com o reforço do próximo inverno, mais de uma centena de rotas.
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