João Pedro Oliveira e Costa prevê grande impacto na rentabilidade e provisões.
O administrador do BPI João Pedro Oliveira e Costa disse esta terça-feira, no parlamento, que não deve ser posto sobre os bancos o peso da resolução dos problemas da atual crise e que prevê grande impacto na rentabilidade e provisões.
"O que está a passar vai ter consequências muito complicadas para a economia e para os seus agentes e no meio desses agentes estão os bancos e penso que não podemos, ou não devemos, colocar em cima dos bancos todo o peso de resolução das situações que vêm pela frente, porque vai ser impossível", disse o administrador do BPI, em audição perante os deputados das comissões parlamentares de Economia e de Orçamento e Finanças.
O responsável defendeu que "vários outos agentes têm de vir a terreno dar o seu contributo", caso da União Europeia mas também do próprio Estado, que "terá de ter outra intervenção, outro tipo de iniciativas", até porque para já as garantias bancárias que dá nos créditos bancários às empresas ainda não pesam sobre défice ou dívida pública (passarão a pesar se os bancos as acionarem de futuro face ao incumprimento das empresas).
"Todos temos de ter uma postura e abordagem construtiva face a tudo o que vem pela frente, não vai ser possível o setor financeiro sozinho acudir a todas as situações", acrescentou.
O administrador do BPI questionou se um cinema irá abrir quando se fala de vender bilhetes de duas em duas filas e três em três lugares ou um restaurante para ter 100 lugares (e despesas a essa escala) que só pode servir 20 almoços.
"Estas questões preocupam-nos a todos e isto tem de ser preocupação de todos e não só de uns", afirmou.
O administrador do banco detido pelo grupo espanhol Caixabank disse ainda que os bancos têm de continuar a cumprir as exigências do regulador, nomeadamente rácios de liquidez e de capital, e sobre os rácios de capital terem sido aligeirados recentemente pelos reguladores, disse que isso aconteceu mas que é "momentâneo", pelo que os bancos ou mantêm as almofadas financeiras ou de futuro terão de fazer aumentos de capital.
A partir de outubro, disse, vê com preocupação o que vai acontecer (uma vez que em 30 de setembro acabam as moratórias impostas pelo Governo para crédito à habitação e créditos a empresas), antevendo um aumento do crédito malparado e impacto negativo na rentabilidade.
"Vamos ter de estar disponíveis para estar com clientes que estão connosco há anos, mas mais uma vez não vamos conseguir estar com todos, pelo que - reforço - teremos de estar todos juntos nesta batalha", afirmou.
Sobre o BPI, João Oliveira e Costa disse que o banco prevê um "impacto significativo" desta crise nas provisões e na rentabilidade.
"O BPI tem uma capacidade razoável para acomodar algum nível de imparidades e a rentabilidade vai ser afetada de forma bastante significativa", afirmou.
Também o administrador do BPI Pedro Barreto, que hoje também esteve a responder às questões dos deputados, considerou que as moratórias impostas pelo Governo até setembro "podem não ser suficientes" mas sobre a sua prorrogação disse que provavelmente terá de ser avaliado setor a setor pelo que é normal que "quem tem de decidir queira esperar antes de tomar uma decisão".
"Uma crise desta natureza vai levar ao aumento do crédito vencido na economia, isso parece-me inevitável, infelizmente", afirmou.
Sobre os dividendos referentes a 2019, em que o BPI foi o último dos grandes bancos a informar que ia cancelar a distribuição, João Pedro Oliveira e Costa disse que o banco tardou uma vez que era o único que já os tinha aprovado formalmente, pelo que o seu cancelamento demorou pois obrigou a nova aprovação dos órgãos sociais.
"O tempo que demorámos foi o tempo de organizar e reunir os órgãos próprios para tomar essa mesma decisão", informou.
IM // JNM
Lusa/Fim
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.