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Não subo o preço do pão

Hélder Madeira Caetano, industrial de panificação, de 67 anos, mostra-se indignado e revoltado pelos seus colegas quererem aumentar o preço do pão. O pão que vende não sofre qualquer aumento desde há quatro anos e irá continuar a custar 10 cêntimos por unidade.

07 de novembro de 2005 às 00:00

Acha que este anunciado aumento do pão é um roubo, pois “o pão é um alimento essencial e as pessoas precisam dele”. Por isso, o industrial “não irá aumentar o preço da carcaça”, que actualmente custa 10 cêntimos.

“O pão não é fabricado com petróleo, mas sim com água e farinha e a subida da gasolina não é justificação para esse aumento”. Realçando ainda que “se a farinha não aumentou, logo não há razão para aumentar o preço do pão”.

O padeiro que tem a sua fábrica no Monte de Caparica acha que “o pão não deveria ser vendido a mais de 10 cêntimos” e diz que a maior parte dos “distribuidores vende por metade do custo que é vendido no balcão”. Ou seja, um distribuidor vende o pão a seis cêntimos a uma padaria e esta ao fazer a revenda, no balcão, cobra o dobro. Hélder Madeira Caetano, que tem vários estabelecimentos e que vende para outras padarias, não compreende esta atitude.

Com a invasão dos espanhóis e do pão congelado, Hélder Madeira afirma que “poucos industriais conseguem resistir” e continuam a produzir pão “verdadeiro” sem recorrer ao pão pré-feito “que não tem tanta qualidade como o pão que produzo ”.

Comentando uma notícia recentemente publicada pelo Correio da Manhã, onde mostra a posição da Associação dos Industriais de Panificação, que dizem que o preço do pão já deveria ter aumentado no início do ano e que esta subida do preço era inevitável, o padeiro mostra-se triste, pois não percebe “como é que conseguem fazer uma coisa destas às famílias que têm uma situação económica complicada ou fraca”. Com este aumento, essas famílias “em vez de comprarem o pão de que precisam para as suas casas, compram menos”.

PADEIRO DESDE OS ONZE ANOS

Hélder Madeira Caetano tem 67 anos, está casado há 40 anos e tem dois filhos, um rapaz e uma rapariga, que trabalham com o pai na fábrica que construiu. É padeiro desde os onze anos, foi quando decidiu sair da sua terra natal, Tábua, na Beira Alta, e foi para Lisboa para começar a sua vida como padeiro.

Começou numa padaria como ajudante de padeiro, onde aprendeu tudo sobre pão. Mais tarde, com 18 anos, construiu o seu próprio negócio em Lisboa. Nos anos 70, adquiriu a sua fábrica de panificação na Quinta da Pedreira, em Granja, no Monte de Caparica. Não tem ninguém da família que tenha tido este tipo de negócio. Tudo o que tem hoje é fruto dele.

MERCADO

O mercado da panificação é dominado por cinco empresas. Existem, no País, cinco mil padarias com um volume de negócios anual da ordem dos 1080 milhões de euros.

LISBOA

Lisboa é a zona do País com os produtos de panificação mais caros: um pão de trigo com 500 gramas custa 1,05 euros, enquanto um pão de centeio, do mesmo peso, é vendido a 85 cêntimos.

OSCILAÇÃO

Os preços do pão oscilam muito em todo o País. No final de 2004, o aumento de 35% no trigo levou a indústria a subir os preços, a carcaça aumentou cerca de dois cêntimos.

CONSUMO

Portugal consome por ano 900 mil toneladas de trigo mole para fazer pão, sendo que 98 por cento é importado.

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