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Cuidar dos idosos é cuidar da comunidade

Para a Cruz Vermelha Portuguesa e para a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, o apoio aos idosos é algo que existe em comum. No terreno, fomos com a equipa do programa Humanidade em Ação ver como se concretiza este propósito comum

04 de junho de 2026 às 09:00

O combate ao isolamento dos idosos, que representam um quarto da população nacional, está hoje a mobilizar respostas locais e nacionais cada vez mais articuladas. Iniciativas de proximidade, como o voluntariado promovido pela Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC) no Centro Social Comendador Melo Pimenta, no Luso — através de uma parceria com a organização Just a Change —, reforçam o acompanhamento direto e diário. Este tipo de trabalho local complementa respostas estruturadas de âmbito nacional, como o serviço nacional de teleassistência da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), que permite acionar ajuda à distância com o simples toque num botão. A ligação entre estes dois níveis de intervenção — o local e o nacional — é central para responder a uma realidade demográfica exigente. Nunca houve tantos idosos em Portugal, o segundo país da União Europeia mais envelhecido, apenas à frente de Itália. Mais de 2,5 milhões de pessoas têm idades superiores a 65 anos, segundo dados da população divulgados pela Pordata. Muitos destes idosos — quase meio milhão — vivem sozinhos, de acordo com os Censos 2021.

É neste contexto que surge a série “Humanidade em Ação”, uma iniciativa da Cruz Vermelha Portuguesa que, com empresas parceiras, em divulgação conjunta com a Medialivre, foram ao terreno mostrar o que está a ser feito em diversas causas sociais, com episódios a serem exibidos nos canais CMTV e Now.

Resposta social alargada

Neste primeiro episódio, intitulado “Cuidar dos Idosos é Cuidar da Comunidade”, fomos ver como a SCC se mobilizou para intervir no Centro Social Comendador Melo Pimenta, no Luso, onde ambas têm raízes.

O centro trabalha diariamente com população idosa, através de respostas de Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, com capacidade para 20 utentes em cada valência. A intervenção promovida pela SCC, em parceria com a Just a Change, consistiu numa ação de voluntariado para requalificar o espaço com operações de pintura e limpeza.

Num território envelhecido, esta intervenção vai além da melhoria das infraestruturas: contribui para reforçar condições que permitem manter os idosos integrados na comunidade, reduzindo o risco de isolamento. Este acompanhamento presencial é, aliás, complementar ao acompanhamento remoto, assegurado pela teleassistência a idosos da Cruz Vermelha, criando uma resposta contínua entre presença física e apoio permanente à distância.

A Central de Cervejas e Bebidas criou a plataforma Juntar os Mundos, em dezembro de 2023, para reforçar o compromisso com a responsabilidade social. É através deste projeto interno de impacto social e voluntariado empresarial, centrado na aproximação entre pessoas e no desenvolvimento de ações concretas de apoio comunitário, que o grupo desenvolve iniciativas como a que ocorreu no Luso.

Salomé Faria, diretora de Comunicação e Relações Institucionais da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas
Salomé Faria, diretora de Comunicação e Relações Institucionais da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas FOTO: CStudio

História e memória no Luso

A intervenção no Centro Social Comendador Melo Pimenta incidiu na requalificação do edifício, que enfrentava problemas estruturais antigos, agravados por intempéries recentes. “Esta instituição já tem alguns anos e estamos a deparar-nos com muitas infiltrações e humidade. Estes problemas agravaram-se em resultado destes invernos rigorosos. Os recursos financeiros da instituição não permitem suportar este tipo de despesas. Claro que esta ação de voluntariado é de extrema importância porque sem isto seria mais difícil lavar a cara da instituição e dar um pouco de dignidade à população a que damos resposta”, justifica Catarina Neves, diretora técnica do Centro Social Comendador Melo Pimenta. A ação contou com o envolvimento, em parceria, da organização Just a Change, especializada em reabilitação com recurso a voluntariado. “Reabilitamos casas para que todos tenham um lugar digno onde viver. Reconstruímos vidas porque levamos voluntários carregados de alegria e esperança a casa das pessoas”, pode ler-se no site da associação.

Catarina Neves, diretora técnica do Centro Social Comendador Melo Pimenta, no Luso, com um dos voluntários
Catarina Neves, diretora técnica do Centro Social Comendador Melo Pimenta, no Luso, com um dos voluntários FOTO: CStudio

Para a Central de Cervejas e Bebidas, a eficácia destas ações depende da articulação com parceiros especializados. Como explica Salomé Faria, diretora de Comunicação e Relações Institucionais da empresa: “As parcerias ampliam o nosso impacto, em particular a que temos com a Just a Change. Isto era essencial para podermos fazer uma ação deste tipo, disponibilizando a capacidade, a força e a energia dos voluntários. Precisávamos de um parceiro forte que nos ajudasse a estruturar de uma forma profissional e com segurança tudo o que aconteceu para melhor neste centro.”

O impacto foi sentido diretamente pelos utentes: “Este trabalho é muito importante para os nossos idosos se sentirem mais confortáveis, mais aconchegados. Muitas pessoas deste centro já trabalharam na Água do Luso ou os filhos trabalham lá. Vai melhorar o dia a dia destes utentes”, referiu Pedro Maia, voluntário e colaborador da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, que detém a marca Água de Luso.

O apoio da teleassistência

Estas ações no terreno fazem parte de uma resposta mais ampla, em que empresas e instituições se articulam com a Cruz Vermelha Portuguesa para garantir continuidade de cuidados.

O serviço de Teleassistência da Cruz Vermelha Portuguesa é um sistema de apoio e segurança disponível 24 horas por dia, 365 dias por ano, pensado sobretudo para idosos, pessoas que vivem sozinhas, pessoas em situação de dependência ou simplesmente quem quer sentir-se mais seguro em casa — e até fora dela.

Funciona de forma muito simples: a pessoa usa um dispositivo com botão de emergência (pulseira, colar ou equipamento móvel). Se acontecer uma queda, mal-estar, emergência médica, insegurança ou até um momento de solidão, basta carregar no botão. O alerta chega imediatamente ao Centro de Atenção da Cruz Vermelha, onde profissionais especializados atendem e avaliam a situação.

Este serviço de teleassistência da CVP, disponível 24 horas por dia em todo o país. Porém, este serviço não funciona isoladamente: está ligado à rede de estruturas locais e ao trabalho de proximidade que entidades como centros sociais e parceiros empresariais ajudam a fortalecer.

A Cruz Vermelha Portuguesa articula este serviço com cerca de 150 estruturas locais, que asseguram visitas, acompanhamento social e monitorização no terreno — muitas vezes em contextos semelhantes ao do Centro Social do Luso. “A teleassistência é uma resposta de apoio à distância. Um fator que potencia o impacto social do trabalho da teleassistência é a forte presença da Cruz Vermelha em todo o território, com cerca de 150 estruturas locais. Conseguimos conciliar apoio à distância e de proximidade porque nada substitui este contacto, sobretudo para pessoas mais isoladas. É aqui que fazemos a diferença enquanto Cruz Vermelha”, explica Sónia Fertuzinhos, coordenadora do serviço nacional de teleassistência.

Mais de 30.000 chamadas num ano

O impacto desta rede mede-se em milhares de contactos. Em 2024, o Centro de Atenção de Teleassistência da Cruz Vermelha Portuguesa registou mais de 32 mil chamadas, muitas relacionadas não apenas com emergências, mas também com companhia, esclarecimento e segurança.

“Sabemos que um dos grandes desafios da nossa sociedade é termos uma percentagem cada vez maior de pessoas mais velhas. É normal que as pessoas fiquem cada vez mais sós no processo de envelhecimento. O foco da Cruz Vermelha é promover o bem-estar das pessoas nessa fase da vida”, constata Sónia Fertuzinhos.

Entre o botão de emergência e o contacto humano direto, constrói-se uma rede de apoio contínua, em que a tecnologia e a presença no terreno se completam — e onde cuidar dos idosos é, de facto, cuidar da comunidade.

APOIO DIÁRIO GARANTIDO AOS MAIS VELHOS E SOZINHOS EM CASA

O serviço de teleassistência da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) tem por objetivo garantir a segurança das pessoas mais velhas e sozinhas em casa através das chamadas de acompanhamento que a CVP faz, de acordo com os dias, horas e objetivos acordados com cada pessoa inscrita no serviço, com o objetivo de garantir a sua segurança. Esta prioridade resulta do facto de a Cruz Vermelha Portuguesa saber que o primeiro fator que leva à necessidade de institucionalização de alguns idosos é o sentimento de insegurança associado à diminuição do acompanhamento. Resulta ainda de a CVP saber que o processo de envelhecimento implica, inevitavelmente, um dia a dia cada vez mais só. Nesta perspetiva, as pessoas inscritas no serviço de teleassistência da Cruz Vermelha Portuguesa só têm de carregar num botão sempre que precisam de apoio. Mais importante ainda: a CVP assume a responsabilidade de contactar a pessoa com a regularidade, nos dias e nas horas acordados com a mesma, assegurando a segurança, tranquilidade e bem estar de cada pessoa.

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