"O crédito mal parado começou a crescer em 2016 no Novo Banco e hoje situa-se nos 5%", disse Mário Centeno.
O governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças, Mário Centeno, foi ouvido na comissão parlamentar ao Novo Banco esta terça-feira.Mário Centeno começou por dizer que o Bes era o "único banco em Portugal durante a crise que não precisou de apoio, mas, no entanto foi o único que acabou" e afirma que "a resolução do BES ditou todos os procedimentos posteriores".
O governador do Banco de Portugal disse que a criação do Novo Banco foi acompanhada com as regras da Comissão Europeia.
"O crédito mal parado começou a crescer em 2016 e hoje situa-se nos 5 %", refere Mário Centeno. "O Novo Banco era novo mas herdeiro de complexos problemas", refere.
"A negociação centrou-se na LoneStar porque os outros compradores caíram", explicou o ex-ministro das Finanças.
Mário Centeno explica que o "Fundo de Resolução não se vai responsabilizar euro por euro pelo destino de ativos. Só há injeções de capital se houver perdas de ativos. Se não houvesse perdas em ativos específicos não exiustiria injeção de capital".
Mário Centeno afirmou que o Novo Banco "não era um banco bom" e "foi preciso fazer dele um bom banco", recordando o "legado do BES" que marca a instituição.
"Era uma vez". Este podia ser o início de uma qualquer história, mas foi a forma como o também ex-ministro das Finanças quis começar a sua intervenção na comissão de inquérito ao Novo Banco, deixando claro que "a história do sistema bancário a nível global durante a crise financeira e das dívidas soberanas" não tem o habitual encanto dos contos.
Mário Centeno, que estava à frente das Finanças quando o Novo Banco foi vendido à Lone Star, deixou claro que esta alienação resultou de "um imperativo legal" e "foi a forma encontrada, difícil, com riscos para o Fundo de Resolução, no quadro do funcionamento de um mecanismo contingente de capital".
O governador do Banco de Portugal disse que o processo do Novo Banco foi "penoso socialmente, politicamente, financeiramente", e "uma lição" para todos os envolvidos.
"É penoso socialmente, politicamente, financeiramente, em termos de todo o processo que envolve o sistema bancário, e portanto é uma lição que todos temos que aprender", disse Mário Centeno no parlamento.
Mário Centeno lembrou que "são sete anos praticamente decorridos desde o dia da resolução" do BES, que ocorreu em agosto de 2014, sendo "um processo difícil em qualquer latitude, em qualquer país, e em qualquer jurisdição financeira, política, bancária".
Mário Centeno também lembrou o não recurso do BES às linhas de capitalização pública disponibilizadas durante o Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), conhecido como 'troika', durante o governo de Pedro Passos Coelho (PSD/CDS-PP).
"Isso é um momento-chave numa intervenção precoce, se pudéssemos tê-la feito, no Banco Espírito Santo. Havia os meios financeiros, havia o enquadramento institucional para o fazer, e havia uma compreensão de todos os intervenientes, de todos os agentes do setor, da importância de saírmos da crise com um sistema financeiro capaz", referiu.
Respondendo ao deputado João Paulo Correia (PS), Mário Centeno observou que "não foi isso que aconteceu no Banco Espírito Santo, portanto quando chegamos ao momento da resolução, temos de facto um conjunto de ativos de menor qualidade".
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