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OCDE prevê desaceleração do crescimento mundial para 2,9% este ano

Efeitos da guerra no Médio Oriente, nomeadamente devido ao aumento dos preços de energia, terão impacto no crescimento.

26 de março de 2026 às 10:23

A OCDE estima uma desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global este ano, para 2,9%, apontando os efeitos da guerra no Médio Oriente, nomeadamente devido ao aumento dos preços de energia.

No seu relatório intermédio 'Economic Outlook', a organização indicou que "o crescimento do PIB global deverá abrandar para 2,9% em 2026, antes de subir ligeiramente para 3% em 2027".

Segundo a organização, o "aumento dos preços da energia e a natureza imprevisível do conflito em evolução no Médio Oriente irão elevar os custos e reduzir a procura, compensando os efeitos positivos de um forte investimento e produção relacionados com a tecnologia, de taxas efetivas de tarifas mais baixas e do dinamismo herdado de 2025".

A OCDE lembrou que uma atualização preliminar das projeções de dezembro de 2025, utilizando dados revistos para 2025 e informação mensal até ao final de fevereiro de 2026, sugeria que o crescimento do PIB global poderia ter sido revisto em alta em cerca de 0,3 pontos percentuais em 2026, mas "esta revisão foi totalmente anulada pelo impacto da intensificação do conflito no Médio Oriente".

De acordo com entidade, "estas projeções estão condicionadas a um pressuposto técnico de que o atual nível de perturbação nos mercados energéticos irá diminuir ao longo do tempo, com os preços do petróleo, do gás e dos fertilizantes a descerem gradualmente a partir de meados de 2026".

A OCDE detalhou ainda que o crescimento anual do PIB nos Estados Unidos deverá moderar-se de 2% em 2026 para 1,7% em 2027, à medida que o investimento relacionado com a inteligência artificial (IA) é "gradualmente compensado por um abrandamento do crescimento do rendimento real e do consumo". Na zona euro, "prevê-se que o crescimento do PIB desacelere para 0,8% em 2026, à medida que os preços mais elevados da energia pesam sobre a atividade, antes de aumentar para 1,2% em 2027, impulsionado por um maior gasto em defesa".

Paralelamente, indicou a OCDE, na China, as projeções apontam para que "o crescimento abrande para 4,4% em 2026 e 4,3% em 2027".

De acordo com a OCDE, prevê-se que a inflação nos países do G20 seja 1,2 pontos percentuais superior ao esperado anteriormente, em 2026, atingindo 4%, antes de abrandar para 2,7% em 2027, "assumindo-se uma diminuição das pressões dos preços da energia".

Na zona euro, os dados da organização indicam uma inflação de 2,6% este ano, mais 0,7 pontos percentuais do que o esperado em dezembro, e de 2,1% em 2027.

A OCDE defendeu que "perante o choque dos preços da energia, os bancos centrais precisam de se manter vigilantes e assegurar que as expectativas de inflação permanecem bem ancoradas", salientando que "poderão ser necessários ajustamentos da política monetária caso as pressões sobre os preços se alarguem ou se as perspetivas de crescimento enfraquecerem substancialmente".

Segundo a organização, "as medidas governamentais para atenuar o impacto dos preços mais elevados da energia devem ser oportunas", assim como "bem direcionadas para os agregados familiares mais necessitados e para empresas viáveis".

A entidade admite que o folga orçamental é limitada e são "necessárias ações para salvaguardar a sustentabilidade da dívida e libertar recursos para enfrentar desafios de despesa a mais longo prazo".

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