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Pânico na Bolsa custa 4,8 mil milhões

As praças financeiras registaram quebras elevadas na sessão de ontem, em que muitos investidores tomaram posições vendedoras. Assim aconteceu devido ao sentimento de incerteza originado pela crise do crédito hipotecário nos Estados Unidos da América.

17 de agosto de 2007 às 00:00

Dos principais índices bolsistas europeus, a maior queda foi do Footsie 100, o mais importante da praça londrina: 4,1 por cento. O português PSI 20 também perdeu mais de quatro por cento. As empresas cotadas no PSI 20 perderam 4,8 mil milhões de euros ontem; na última semana, mais de 13 mil milhões de euros (cerca de nove por cento da riqueza gerada anualmente no nosso país).

Conforme explicou ao nosso jornal o presidente da SGF – Sociedade Gestora de Fundos de Pensões, José Santos Teixeira, muitas famílias norte-americanas vivem do crédito hipotecário. Trata-se de um único crédito, determinado pelo valor da casa, e que é utilizado na compra de bens de consumo, entre os quais o automóvel. Segundo o responsável da SGF, cerca de 20 por cento das pessoas que contraíram esses créditos numa instituição financeira norte-americana não pagaram a prestação no mês passado.

Vasco Esaguy Balixa, da Ok2deal – Sociedade Corretora, disse ao Correio da Manhã que “a crise de liquidez, apesar das injecções de capitais por parte do Banco Central Europeu e da Reserva Federal dos EUA, é motivada por ninguém conseguir avaliar a carteira da qualidade de crédito” das instituições financeiras. Por esta razão, a taxa de juro Euribor a seis meses atingiu ontem um novo máximo: 4,613 por cento.

Segundo Vasco Esaguy Balixa, “receia-se que a crise alastre e tenha impacto nas economias, sobretudo, ao nível do consumo”.

PERDAS POTENCIAIS EM APENAS UM DIA

- Américo Amorim, que detém mais de 276 milhões de títulos da Galp Energia, representativas de 33,34 por cento do respectivo capital, teve uma quebra potencial de 293,16 milhões de euros. As acções da petrolífera desvalorizaram-se 10,14 por cento, para 9,39 euros, e foram negociados mais de 2,2 milhões.

- Belmiro de Azevedo perderia 137,174 milhões de euros se tivesse vendido 658,8 milhões de papéis da Sonae SGPS e 12,844 milhões da Sonaecom. As acções da Sonae SGPS caíram 10,25 por cento, para 1,75 euros, e mudaram de mãos mais de 27 milhões. A Sonaecom fechou a perder 9,76 por cento, para 3,88 euros.

- Joe Berardo, que detém mais de 245 milhões de títulos do BCP, representativos de 6,8 por cento do capital social da instituição financeira, teve ontem uma quebra potencial de 46,7 milhões de euros. As acções do BCP terminaram a sessão a valer 3,24 euros, com uma descida de 5,53 por cento.

As empresas de construção civil cotadas na Euronext Lisboa foram altamente penalizadas na sessão de ontem, com os investidores a ligarem o sector da construção à crise imobiliária nos Estados Unidos.

TEIXEIRA DUARTE (-16,2%)

As acções da Teixeira Duarte desceram para 2,58 euros e negociou-se mais de 1,33 milhões.

MOTA-ENGIL (-9,9%)

Os títulos da Mota-Engil desvalorizaram-se para 5,60 euros e mudaram de mãos 871 331.

SOARES DA COSTA (-8,4%)

As acções da Soares da Costa fecharam a valer 2,05 euros e mais de 3,3 milhões foram negociadas.

CONSELHOS ÚTEIS A QUEM TEM ACÇÕES

1º- O investimento em empresas cotadas deve rondar os 30 por cento do dinheiro disponível. A restante percentagem deve ser aplicada em produtos defensivos.

2º- As aplicações na Bolsa têm de ser feitas a longo prazo, pelo que os investidores não devem agir em função das oscilações diárias, semanais e mensais.

3º- As melhores empresas cotadas, que podem dar maiores ganhos, são aquelas que geram mais capital, pagam dividendos sustentados e têm negócios diversificados.

4º- O investimento bolsista deverá ser feito de acordo com a análise rigorosa das empresas e dos respectivos sectores de actividade em que estão inseridas.

5º- As quebras de ontem não devem assustar, porque fizeram alguns títulos cotarem-se a níveis com um forte potencial de valorização. Ou seja: bons para comprar.

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